Por curso de Medicina, brasileiros vão à Rússia

Universidade estatal do país tem vagas para estrangeiros com custo mais acessível do que particulares no Brasil

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

Candidatos ao curso de Medicina – o mais concorrido das universidades brasileiras – costumam tentar o ingresso em tantos lugares quanto possível, mas a brasiliense Caroline Miguel Garcia, de 18 anos, foi mais longe do que a maioria imagina. Ela entrou na Universidade Médica Estatal de Kursk, na Rússia.

Arquivo Pessoal
Caroline Miguel Garcia chegou à Rússia aos 17 anos para estudar Medicina

“É uma mudança grande, tem que ter interesse em um lugar diferente”, diz ela após os primeiros seis meses de curso. Ela foi selecionada no Brasil pela Aliança Russa, que representa instituições de ensino superior de lá e faz os testes aqui. Do grupo de 17 que embarcou com ela em novembro, apenas sete ficaram no país do leste europeu.

As maiores diferenças são a língua e a temperatura. Como as universidades atraem estrangeiros de vários lugares, as aulas do curso de Medicina são em inglês, mas também é ensinado russo para o dia-a-dia. “De novembro a janeiro, tivemos aulas de idiomas para só então começar. Eu adorei, tenho ascendência russa e sempre fui curiosa da cultura deles”, conta Caroline. Para ela, o mais difícil, é a temperatura média anual de 5ºC, com boa parte do tempo abaixo de zero. “Só recomendo para quem tem força de vontade.”

Caroline terminou o ensino médio em 2010 junto com o cursinho. Aos 17 anos, prestou vestibular para a Universidade de Brasília (UnB) e tentou uma vaga na Academia da Força Aérea. Se não tivesse ido para a Rússia em novembro, teria tentado outros vestibulares, mas imaginava que, como a maior parte dos candidatos à Medicina, provavelmente teria que fazer cursinho por mais tempo. Acabou chegando a maioridade já matriculada em Medicina, em janeiro deste ano. “Não quis fazer mais cursinho, queria estudar logo o que eu gosto, desde criança quero ser médica”, diz.

O custo é subsidiado pelo governo local e sai por R$ 5,9 mil por ano – valor que pagaria dois meses de um curso de Medicina particular no Brasil. A jovem conta que gasta mais R$ 700 por mês para se manter, incluindo a residência estudantil, onde divide um quarto com uma amiga. “Como a moeda deles é bem desvalorizada em relação a nossa, sai mais barato que fazer uma universidade particular no Brasil.”

Validação do diploma no Brasil é dúvida

Quem decide se graduar no exterior precisa de uma validação do diploma no Brasil, caso retorne ao País. Caroline conta que a dúvida sobre se conseguirão esta validade é uma das inquietações entre os colegas que estão na Rússia, todos a menos de três anos e nenhum formado. “É mais fácil atuar em outros países da Europa ou nos Estados Unidos, em que basta fazer um teste de línguas”, conta. Mudanças feitas este ano unificaram o exame que valida o diploma médico expedido no exterior.

Inscrições abertas
O processo seletivo da Aliança Russa está com novas vagas abertas. As inscrições vão até a próxima sexta-feira, 22. São 50 vagas em Medicina na Universidade Médica Estatal de Kursk e outras 50 para candidatos a Relações Internacionais, Direito Internacional, Turismo, Educação Física e Nanotecnologia, na Universidade Estatal de Belgorod e na Universidade Amizade dos Povos (RUDN), localizada em Moscou. Mais informações no site www.aliancarussa.com

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