Política de cotas divide país em negros e brancos, defende antropóloga

BRASÍLIA - Para a antropóloga da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Yvonne Maggie, a reserva de vagas para negros nas universidades públicas ou em qualquer outra instituição é uma medida errônea e perigosa porque parte do princípio da crença em raças, o que segundo ela é inexistente.

Redação com Agência Brasil |

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As cotas para negros carregam em si o veneno em lugar de solução porque para diminuir o racismo, elas constituem, fundam, a ideia de raça, dividindo os estudantes por força de lei em negros e brancos para assegurar direitos, explica.

Maggie é uma das intelectuais que em abril entregaram uma carta ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo o fim da política de cotas. Ela aponta que essa divisão contribui para a segregação. As pessoas dizem que a sociedade brasileira já é dividida, mas ela não é dividida legalmente em negros e brancos, as leis são universais para todos. As políticas de cotas fazem essa segregação, defende.

A pesquisadora alerta que em episódios anteriores em que o Estado obrigou as pessoas a se definirem de acordo uma categoria, os resultados foram negativos. Todas as vezes em que o Estado se meteu a definir a raça das pessoas produziu muito mais dor do que alívio, a começar pelo holocausto, argumenta.

Maggie acredita que os resultados desse tipo de intervenção podem ser a morte e a carnificina quando um dos grupos usa essa categorização como uma arma para defender seus direitos Foi assim com o nazismo, foi assim em Ruanda, cita.

Para o coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade de Brasília, Nelson Inocêncio, os movimentos e indivíduos que são contrários à política de cotas estão alienados ao processo. Você começou com um movimento de uma ou outra universidade implantando o sistema e hoje são várias, ou seja, a tendência é o crescimento. Quem está refratário, não só está contra como também não está fazendo a leitura do processo. De certa forma, está alienado porque ignora algo que está se adensando de maneira efetiva, defende.

Para Inocêncio, um país não pode defender a democracia enquanto não enfrenta a questão do racismo. Não adianta se falar em democracia e não perceber que existe um contingente de quase a metade da população que está excluído de um processo cidadão. É paradoxal falar de democracia sem combater o racismo, defende.

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