Polícia e universidade investigam trote violento no Paraná

Três alunos passaram mal e foram levados para pronto-atendimento após terem ingerido bebida alcoólica

Luciana Cristo, iG Paraná |

As boas-vindas aos calouros da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), no Paraná, se transformaram em problema durante o primeiro dia de aula, nesta quarta-feira (16). Três estudantes, novatos nos cursos de Ciências Contábeis e Educação Física, passaram mal depois de ingerirem grande quantidade de bebida alcoólica em um dos bares próximos à universidade. Dois deles foram parar no pronto-atendimento do município, em coma alcoólico. Depois da repercussão do caso, foram abertas uma investigação da polícia e uma sindicância da UEPG para apurar o ocorrido.

Um dos agravantes para a situação foi que os estudantes começaram a tomar bebida alcoólica ainda pela manhã, quando alguns deles sequer tinham tomado café da manhã. Ainda abatido e sem lembrar exatamente o que aconteceu, Anderson de Oliveira, de 17 anos, calouro do curso de Ciências Contábeis da UEPG, foi com a mãe na tarde desta quinta-feira (17) até a reitoria. A mãe do estudante, Suzy Carla de Oliveira, registrou queixa na polícia e exige segurança para a continuidade do filho na universidade. “É uma brincadeira de mau gosto. Meu filho está com um galo na cabeça, não sei se caiu ou o que aconteceu. O sentimento é de revolta”, resume a mãe do aluno da UEPG. Mais do que resolver a situação do filho, Carla propõe que uma ação integrada e mais ampla seja instaurada na universidade. “Enquanto não houver um projeto de conscientização desses jovens nada vai adiantar. Agora tem sindicância, tem polícia, mas no ano que vem pode fazer tudo novamente. Eles começam com brincadeira, e aí toma essa proporção”, diz.

Os estudantes que passaram mal foram deixados no pronto-socorro. Quem os levou até lá não se identificou e as famílias só foram comunicadas depois que o serviço social do município foi acionado. Silvia Maria da Chunha, mãe do aluno Bruno César da Cunha (18 anos, calouro do curso de Educação Física), conversou com o filho depois que ele melhorou e recebeu alta. “Ele é maior de idade e disse que não foi obrigado a beber”, afirmou. No entanto, ela defende a criação de uma lei que proíba a venda de bebidas alcoólicas ou a abertura de bares perto de locais de ensino para diminuir o número de situações como a de quarta-feira.

Investigação

O delegado do 3º Distrito Policial de Ponta Grossa, João Manoel Alonso Filho, solicitou cópia das gravações do sistema de segurança, interno e externo à UEPG, para identificar os autores da “festa”, além das imagens da câmara do pronto-socorro, onde os alunos foram deixados depois de passarem mal. “Eles saíram da universidade e se dirigiram a um estabelecimento comercial próximo no qual, pagando uma determinada quantia, podia-se ingerir batidas, cachaça, cerveja e vodca”, diz o delegado. Depois de identificados, os envolvidos podem responder por fornecimento de bebida alcoólica a menores de idade, lesão corporal e constrangimento ilegal, se for comprovado que os calouros fizeram o que não queriam fazer.

Já a sindicância aberta pela UEPG terá duração de 30 dias para apurar responsabilidades e envolvidos no trote. Em nota divulgada pela instituição, a UEPG afirma que a seção de vigilância está rastreando imagens que possam dar suporte à identificação de possíveis envolvidos em atos de trote. O reitor da UEPG, João Carlos Gomes, esclarece que a universidade conta com a parceria da Polícia Militar e da Guarda Municipal para coibir atos dessa natureza fora dos limites da instituição, em atendimento à legislação municipal que proíbe a prática de trote estudantil, assim como resolução interna da UEPG, que proíbe trotes dentro da faculdade desde 1996.

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