Polêmica sobre diploma faz diretor de instituto recusar o MEC

Convidado a ocupar cargo no governo, coordenador no Acre Irailton Sousa é acusado de estar matriculado há 21 anos em universidade

Priscilla Borges, iG Brasília |

O diretor-presidente do Instituto de Desenvolvimento da Educação Profissional Dom Moacyr do Acre, Irailton Lima Sousa, recusou uma proposta para assumir um cargo no Ministério da Educação antes mesmo que as negociações fossem concluídas. Sousa, que coordena as políticas de educação profissional da rede pública do Acre, viria a ser responsável pela Diretoria de Integração de Redes de Educação Profissional e Tecnológica.

A justificativa para ter declinado do convite foi a repercussão, especialmente no Acre, da informação de que Sousa não tinha diploma de graduação. Segundo a coordenação do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Acre (UFAC), onde ele estudou, Sousa estaria matriculado no curso há 21 anos. Em sua defesa, o diretor do Dom Moacyr diz que já defendeu monografia e que a instituição perdeu dados sobre seu histórico acadêmico.

Sousa não precisaria de um diploma universitário para assumir um cargo de confiança no ministério. Ele trabalharia em uma área na qual já atua no Acre. Porém, as polêmicas em torno da demora em concluir o curso de Ciências Sociais se acirraram em blogs locais. Nesta terça-feira, Sousa divulgou uma nota criticando reportagem publicada no Blog da Amazônia, do repórter Altino Machado, e defendendo-se das acusações.

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Na nota, Sousa diz que o convite partiu da “militância setorial” acumulada por ele e que, por causa disso, se sente “inteiramente preparado para assumir os desafios decorrentes dessa função”. No entanto, afirma que as declarações da coordenação do curso de Ciências Sociais da UFAC e a reportagem criaram “uma situação de constrangimento que devo, a bem de todos, impedir que se prolongue”.

“Apesar de não haver exigência legal de titulação superior para a ocupação do cargo, estou
declinando da proposta de assumir a Diretoria de Integração de Redes da Secretaria de Educação Tecnológica do MEC. Busco, assim, evitar uma exposição prejudicial ao Ministério da
Educação, em particular ao secretário Marco Antonio (de Oliveira, da Setec), a quem sou grato pelo convite formulado. Procurarei nos meios legais a resolução para o caso e a reparação dos danos morais a mim causados”, afirma em nota.

Conflitos

De acordo com a coordenação do curso, Sousa ingressou no curso, pela primeira vez, em 1991. Em 1998, teria feito novo vestibular para evitar um jubilamento. A coordenação diz que ele não cumpriu a carga horária de 2.295 horas exigidas para concluir a graduação. Além disso, ele não teria feito a prova do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) , obrigatória para liberação de diplomas. Sousa diz que houve desorganização da universidade em relação aos documentos de seu histórico acadêmico. Algumas disciplinas, ele diz, não foram contabilizadas pela coordenação do curso. Ele também não teria sido avisado de que fora convocado a prestar o Enade.

“Nos últimos 11 anos, tenho grandes responsabilidades na gestão educacional, o que me leva, inclusive, a viajar com frequência. Minha demora na conclusão do curso acadêmico deveria ser encarada como uma dificuldade a ser superada com a verificação justa das habilidades e competências que pude desenvolver na universidade, jamais como uma fraqueza política a ser explorada num confronto inútil, que em nenhum momento busquei”, diz.

Segundo a coordenação do curso, Sousa solicitou uma declaração de conclusão do curso, que não poderia ser fornecida até que o processo fosse resolvido institucionalmente.

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