Poderoso Netuno

Um dos mais potentes computadores de alto desempenho para uso acadêmico da América Latina será inaugurado na próxima segunda-feira, no Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na capital fluminense.

Agência Fapesp |

Denominado Netuno, foi montado com recursos da ordem de R$ 5 milhões concedidos pela Petrobras por meio de duas redes temáticas criadas pela empresa, a Rede de Geofísica Aplicada e a Rede de Modelagem e Observação Oceanográfica.

O cluster (aglomerado) deverá beneficiar, além da UFRJ, outras 14 instituições de ensino e pesquisa brasileiras que integram essas redes temáticas que, a partir de agora, desenvolverão seus projetos utilizando a nova capacidade de processamento. Calcula-se que a nova máquina elevará a capacidade atual instalada em cerca de oito vezes.

O supercomputador é composto por 256 servidores Dell de alto desempenho, cada um com dois processadores Intel de 2.6 GHz com quatro núcleos de processamento cada. As máquinas são interligadas por uma rede de dados de alta performance, fazendo com que sejam capazes de processar, de forma simultânea, grande volume de algoritmos e de dados numéricos.

De acordo com Sérgio Guedes de Souza, coordenador do Centro de Computação de Alto Desempenho de Geofísica e Oceanografia da UFRJ e responsável pela montagem do Netuno, o desempenho de processamento teórico do equipamento é de cerca de 21,7 teraflops (trilhão de cálculos) por segundo.

Essa performance, que a princípio tem nos causado certo espanto, faz com que o cluster integre o ranking mundial das 500 maiores máquinas de processamento paralelo. Trata-se de um avanço tecnológico e um salto de qualidade que chega a ser até assustador, disse Souza à Agência Fapesp.

Conseguimos ter aproximadamente 74% de aproveitamento do poder computacional do Netuno, o que nos leva a crer que essa máquina estará entre os 100 primeiros maiores computadores do mundo. Ainda estamos aguardando essa comprovação internacional, afirmou.

Também vinculadas à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), as redes temáticas têm o objetivo de contribuir para a interação das instituições nacionais envolvidas com projetos de infra-estrutura e de pesquisa e desenvolvimento na área de petróleo, gás e energia.

São 38 redes no total e mais sete núcleos regionais de competência que desenvolvem inovações tecnológicas de interesse estratégico para o setor. Por força de lei, a Petrobras tem uma renúncia de recursos de 1% de sua receita bruta para que, em parceria com a ANP, sejam abertos editais de apoio a projetos sobre temas da indústria de petróleo, como por exemplo estudos sísmicos e análise do solo oceânico, que a partir de agora serão desenvolvidos com o auxílio do Netuno, disse.

A UFRJ foi escolhida para receber o equipamento por ser um dos pólos tecnológicos da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e também devido à sua proximidade com o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), que tem sede no próprio campus da universidade fluminense, na Ilha do Fundão.

O mais importante é que, apesar de estar abrigado na UFRJ, o Netuno não será uma máquina feudal e estará à disposição para rodar projetos e aplicações de diferentes universidades brasileiras, cumprindo seu papel no avanço da rede de conhecimento científico do País, destacou Souza.

A inauguração do cluster ocorrerá na segunda-feira, às 15 horas, no Anfiteatro Maria Irene Mello do Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ, no campus do Fundão.

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