Pesquisa mostra hábitos, costumes e riscos de estudantes das capitais do País

Mais da metade dos estudantes de escolas particulares e públicas não pratica atividade física ou não faz exercícios com frequência

iG São Paulo |

Dados da Pesquisa Nacional da Saúde do Escolar (Pense), divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que mais da metade dos estudantes de escolas particulares e públicas não pratica atividade física ou não faz exercícios com frequência. O estudo leva em conta os 618,5 mil adolescentes que frequentam o 9º ano do ensino fundamental nas capitais e no Distrito Federal, a maioria com idade entre 13 e 15 anos.

A pesquisa constata ainda que o consumo de guloseimas (50,9%) e refrigerantes (37,2%) supera o de frutas frescas (31,5%). Os dados sobre alimentação e prática de exercícios refletem um problema cultural. Eles precisam ser trabalhados para haver uma conscientização. Ficar em frente à TV, por exemplo, por muito tempo não é recomendado porque leva ao sedentarismo, explica Marco Antonio Ornelas, supervisor estadual das Pesquisas Sociais do IBGE/SP.

O estudo investiga outros aspectos do comportamento dos estudantes em relação a consumo de álcool, drogas e cigarros, sexo, violência e família.

"A pesquisa faz parte um estratégia do governo. Para poder qualificar as políticas, é preciso saber o que está acontecendo de fato. Esses números são preciosos porque eles vão permitir ajustar as políticas e adequá-las à realidade", explica o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

Dos estudantes pesquisados, 71,4% experimentaram álcool - 22,1% haviam se embriagado -, 24,2% fumaram cigarro e 8,7% usaram alguma droga ilícita ao menos uma vez na vida.

As questões do álcool e da inatividade física preocupam. Políticas voltadas para as escolas são de extrema importância porque é nesta faixa etária que se constroem padrões de consumo e comportamento que podem ter repercussões nefastas em relação à saúde 20 ou 30 anos depois, comenta Temporão.

Entre os jovens que tiveram relação sexual - 30,5% dos estudantes, sendo 43,7% do sexo masculino e 18,7% do sexo feminino -, 24,1% não haviam usado preservativo na última relação sexual.

O índice de sexo sem camisinha é muito elevado. Deveria ser 0%. Existe uma grande campanha para evitar AIDS e doenças sexualmente transmissíveis. Isso demonstra negligência, afirma Ornelas.

Dados sobre violência mostram que quase um terço dos alunos (30,8%) disse ter sofrido bullying (comportamento com diversos níveis de violência que vão desde chateações inoportunas ou hostis até fatos agressivos sem motivação) alguma vez. A ocorrência é verificada em maior proporção entre os alunos de escolas privadas (35,9%) - nas escolas públicas é de 29,5%.

Viviam na companhia do pai e da mãe 58,3% dos estudantes, sendo que 31,9% moravam apenas com a mãe, 4,6% somente com o pai e 5,2% sem a presença da mãe e nem do pai. Quase 10% dos alunos declararam ter sofrido agressão por algum adulto da família.

A Pense estimou em 618.555 o número de escolares do 9º ano do ensino fundamental frequentando a escola nas capitais brasileiras e Distrito Federal. Desse total, 293.596 (47,5%) são do sexo masculino e 324.958 (52,5%), do sexo feminino.

Quase 80% dos alunos (489.865) estudavam em escolas públicas, enquanto 20,8% (128.690) estavam matriculados em escolas privadas. Os menores porcentuais de alunos de escolas públicas foram verificados em Vitória (61,9%), Natal (62,2%), Aracaju (66,2%) e Teresina (66,5%).

A amostra para a pesquisa incluiu 60.973 alunos do 9º ano do ensino fundamental, em 1.453 escolas públicas e privadas, de todas as capitais e do Distrito Federal (DF).

A faixa etária observada entre os participantes da pesquisa revelou que 89,1% dos estudantes tinham idade entre 13 e 15 anos, segmento considerado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como referência para os estudos de adolescentes escolares. A maioria - 47,1% - tinha 14 anos de idade.

Apresentaram idade igual ou superior a 16 anos 10,2% dos alunos. Salvador (21,8%), Aracajú (19,3%) e Maceió (18,8%) tiveram os maiores porcentuais.

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