Pesquisa avalia internacionalização de universidades

Instituições da América Latina estão longe de atingir boa visibilidade

Marina Morena Costa, enviada a Guadalajara |

Uma pesquisa realizada pela Associação Internacional de Universidades (AIU) entre 745 instituições de ensino superior dos cinco continentes apontou que as universidades da America Latina não são nem primeira ou segunda opções para realizar políticas de internacionalização. A região não é uma prioridade nem mesmo entre as próprias instituições americanas.

A região preferida pelas universidades é o Norte da América, seguida de Europa, Ásia e Pacífico. Os dados são resultados prévios de um questionário respondido pelos diretores de 745 instituições de 115 países. As informações foram adiantas por

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Eva Egron-Polak, secretária geral do AIU, durante a apresentação da pesquisa
em palestra realizada na última segunda-feira no II Encontro de Reitores Universia.

Para as instituições, as políticas de internacionalização são extremamente importantes. Consistem em um processo de integração internacional, parcerias com instituições de outros países, programas de bolsas de estudo e consequente reconhecimento acadêmico. O tema é um dos objetivos do encontro de reitores, que acontece em Guadalajara, no México.

Segundo Eva, a principal dificuldade para a internacionalização apontada pela pesquisa está na falta de recursos financeiros, para 26% das instituições latino-americanas e caribenhas. Em segundo lugar (11%), os diretores apontaram a experiência limitada de seus profissionais e a falta de proficiência em línguas estrangeiras. “Acho que a solução está em todos os estudantes terem uma segunda e até uma terceira língua. Não há necessidade das aulas serem dadas em inglês ou outro idioma, mas dos estudantes dominarem outras línguas”, avalia Eva.

As relações entre o Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos, e as universidades brasileiras são um exemplo concreto das barreiras do idioma. Segundo o diretor geral do instituto, Phillip Clay, o intercâmbio com o Brasil não é tão interessante pela “dificuldade da língua”. “É um obstáculo principalmente na graduação. Nossos alunos trabalham em vários países que oferecem aulas em inglês. Já com o Brasil a parceria deve ser diferente”, analisa o diretor.

Clay adianta que o MIT deve lançar uma importante parceria com o Brasil no segundo semestre, quando se inicia o ano acadêmico nos EUA. “Acredito que a tecnologia tem se desenvolvido muito bem no Brasil e estamos muito satisfeitos com as possibilidades de trabalho com este País."

Conclusões

As conclusões iniciais da pesquisa são de que, para a maioria dos países, internacionalização está pouco ligada a projetos de colaboração em pesquisas e muito relacionada aos estudantes, apesar da mobilidade ainda ser baixa. Segundo os dados da pesquisa, 52% das instituições caribenhas e latino-americanas recebem um total de intercambistas equivalente a menos de 1% dos seus alunos. Mais da metade envia menos de 1% de seus estudantes ao exterior.

O estudo aponta que há problemas de crédito e credibilidade para algumas universidades, e que a America Latina e o Caribe não são uma região geográfica bem cotada. “Não é uma prioridade para ninguém [a região]. Em termos de internacionalização, há muito a melhorar”, resume Eva.

A pesquisa também foi realizada em 2003 e 2005. Os dados de 2009 serão publicados oficialmente ainda neste ano.

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