Parcerias com universidades aproximam alunos de mundo acadêmico

Escolas particulares de SP desenvolvem projetos com instituições estrangeiras para ampliar horizontes dos estudantes

Marina Morena Costa, iG São Paulo |

Para apresentar conceitos do mundo acadêmico e preparar melhor os estudantes para a saída do ensino médio, escolas particulares de São Paulo têm firmado parcerias com universidades. No Colégio Bandeirantes, por exemplo, o curso extracurricular “Open City” (cidade aberta) conta com a consultoria de professores e alunos da instituição norte-americana Harvard e da Faculdade de Tecnologia Bandeirantes (BandTec), instituição ligada à escola. 

Marina Morena Costa
O professor Alexandre em aula do curso Open City, no colégio Bandeirantes
Doze estudantes do segundo ano do ensino médio participam do curso, que tem o objetivo de desenvolver um projeto na internet para melhorar a cidade de São Paulo. A ideia é inspirada em sites de colaboração cívica, no qual a própria sociedade alimenta e utiliza uma ferramenta. Os alunos ainda não sabem o que vão criar, mas para executar o projeto, contarão com a ajuda de seis estudantes da BandTec, que vão elaborar a ferramenta e os aplicativos para smart phones.

Uma das sugestões com as quais o grupo trabalha é fazer um mapeamento de árvores, para que a população saiba e possa apontar quais são as áreas mais arborizadas de São Paulo. “Saio daqui com a cabeça borbulhando de ideias”, diz a monitora do grupo, Mariana Pereira, de 17 anos, estudante de Radio e TV da Faap e de Ciências Sociais da USP.

Em uma teleconferência com Harvard, um professor norte-americano apresentou um projeto criado por estudantes de Boston. Uma estudante mais aplicada sempre mandava por sms a lição de casa para os colegas. Os alunos desenvolveram uma ferramenta que fizesse isso automaticamente pela internet. “A ideia deu tão certo que foi implantada pela prefeitura da cidade em todas as escolas públicas”, conta Gabriela Galera, de 16 anos.

Alexandre Le Voci Sayad, professor de estudo de mídia e responsável pelo curso, avalia que o projeto trabalha com desafios antigos da educação, como aproximar a escola da vida do estudante, trabalhar a transversalidade e fazer com que o ensino médio não seja uma ilha isolada da realidade e do ensino superior. “Precisamos de uma educação conectada com a vida do aluno, com os anseios dele e da sociedade. Saber fazer um projeto é uma das competências mais importantes que a escola pode passar para o estudante. O mundo e a vida são feitos de projetos”, analisa.

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Mariana monta uma rede com as habilidades do grupo e o que cada um gostaria de aprender. Atividade mostra a quantidade de links que os alunos têm entre si

High school no Brasil

O colégio Dante Alighieri forma neste ano a primeira turma do seu high school (denominação americana para o ensino médio). A proposta é oferecer aos alunos do colégio o curso do high school americano, com as mesmas disciplinas ofertadas nos EUA, só que no Brasil, e ministrado por professores estrangeiros de países de língua inglesa. A iniciativa é uma parceria com a Texas Tech University, responsável pelo programa do curso e pelos materiais didáticos.

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A equipe do high school: Robert (EUA), Michael (Inglaterra), Robert Garner (EUA), Simon (Inglaterra), a coordenadora Rossella, Marta (Irlanda), Bryan e Erick (EUA)
Os estudantes fazem o ensino médio regular de manhã e à tarde cursam as disciplinas do high school. Para não repetir disciplinas, o curso é focado em matérias que não são trabalhadas na grade brasileira, como história dos EUA, retórica, economia e literatura, gramática e redação em inglês. O resultado é um inglês afiadíssimo, que coloca os estudantes brasileiros em um nível de escrita e fala adequados para realizar um curso superior em uma universidade estrangeira sem dificuldades.

A ideia de fazer faculdade nos EUA ganhou força depois que Eduardo Rubini, de 15 anos, começou o high school. Além do diferencial em redação e na argumentação, pontos bastante trabalhados no curso, o contato com professores americanos trouxe aspectos culturais que podem fazer a diferença em um processo seletivo. “Sempre gostei muitos dos EUA e pretendia passar um tempo lá. Agora, juntando tudo o que estou aprendendo, decidi que quero fazer faculdade ou algum curso lá”, conta.

A coordenadora do high school do Dante, Rossella Beer, afirma que há um choque cultural no primeiro contato com entre alunos e professores. “Eles exigem pontualidade, tem uma argumentação diferente da nossa, não são tão espontâneos. O aluno aprende a lidar com o estrangeiro, que no futuro será o professor, o colega de classe ou o chefe deles”, destaca.

Os professores notam que os alunos chegaram ao final do curso mais confiantes, conseguem defender seu ponto de vista e argumentar em inglês. “Eles amadurecem e ganham uma bagagem de inglês fantástica”, afirma o professor norte-americano Robert Garner.

Intercâmbio

O colégio bilíngue Humboldt tem parceria com a universidade alemã de mesmo nome e recebe professores e estudantes universitários. Duas vezes ao ano, a escola recebe estagiários de cursos de pedagogia e licenciatura, que trabalham na escola por três meses. “Eles desenvolvem projetos com os nossos alunos e é uma oportunidade deles terem contato com falantes de alemão”, aponta Hans Wagner, vice-diretor do Humboldt. O último projeto desenvolvido por uma estudante da Universidade Humboldt com estudantes do ensino médio era sobre a capital da Alemanha, Berlim.

A parceria também traz benefícios para o corpo docente. “Os estagiários trocam muito com os professores. Trazem metodologias modernas, dão aulas experimentais. Todos saem ganhando”, avalia Wagner.

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