Parceria para novas creches depende só da Prefeitura, diz Haddad

Ministro participa de evento em São Paulo e diz que recursos estão disponíveis. Secretaria afirma que fará parceria 'em breve'

Marina Morena Costa, iG São Paulo |

O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou neste sábado que os recursos do programa Pró-Infância do Ministério da Educação (MEC) estão disponíveis para financiar a construção de novas creches em São Paulo. “Temos mais de 5 mil convênios disponíveis até 2014. Depende exclusivamente do desejo do poder local de aderir ao Pró-Infância”, afirmou. Na cidade de São Paulo, mais de 100 mil crianças precisam de creches e estão sem atendimento.

A secretaria municipal de Educação ainda não firmou nenhuma parceria com o MEC. Segundo o secretário Alexandre Schneider, a prefeitura tem “alguns terrenos” disponíveis e trabalha para obedecer prazos e fechar parcerias com o ministério. Mas ainda não há previsão de quando as unidades começarão a ser construídas. Os recursos do ministério são de aproximadamente R$ 1 milhão por unidade com capacidade para 200 crianças.

Schneider afirma que leis municipais – relativas à preservação ambiental, ao tamanho mínimo da rua e das unidades –, limitam as possibilidades da secretaria de construir novas creches. “Há um cálculo daquilo que pode ser construído dependo de onde o terreno está localizado. Muitas vezes consigo um terreno de 1.500 m², mas não posso construir mais do que 300 m². Estamos trabalhando em um projeto de lei que vai envolver a Câmara para flexibilizar essas questões para possibilitar a construção de unidades educacionais”, afirma.

Marina Morena Costa
O ministro da Educação discursa para pais e educadores em São Paulo
O ministro e o secretário participaram na tarde deste sábado do 1º Seminário de Educação Infantil da Cidade Ademar e Pedreira, realizado na Escola Estadual Professora Yolanda Bernardini Robert, no Jardim Miriam, periferia da zona sul de São Paulo. Nos últimos cinco anos, o número de matrículas em creches na região saltou de 1.648 para 4.105, mas ainda há 5.179 sem atendimento. A maioria espera vaga há mais de dois anos, segundo o Fórum Social da Cidade Ademar e Pedreira.

Moradora da região, Silvia Ferreira de 28 anos, espera uma vaga para a filha Ester, de 2 anos, há mais de um ano. “Fiz a inscrição, mas tem 160 crianças na frente dela. Todo mês diminui dez crianças na fila”, lamenta. A auxiliar conseguiu um emprego numa fábrica de embalagens e leva a criança para o trabalho, por não ter com quem deixar.

A diarista Cristina Aparecida dos Santos, 37 anos, não consegue vaga para o filho João Vitor, de 5 anos, em uma escola de educação infantil. “Não precisei de creche, optei por cuidar dele em casa, mas agora que eu preciso, não consigo vaga. Ele vai entrar no ensino fundamental sem nunca ter frequentado uma escola”, diz. João Vitor está em 336º lugar na lista de espera por uma vaga.

Segundo o secretário, há três creches em construção, oito em licitação e 25 no projeto – fase anterior ao processo de licitação. Já as unidades de educação infantil são seis em construção, duas em licitação e 28 em análise. A secretaria avalia a possibilidade de construção de unidades em 126 terrenos.

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