Secretário do ministério reconhece falhas na ampliação de universidades e diz que “problemas não podem ser negligenciados”

O secretário da Educação Superior (Sesu), Luiz Cláudio Costa, reconheceu que o s projetos de expansão das federais enfrentam problemas . Mas, na opinião dele, eles não podem ser negligenciados. Costa garante que as dificuldades enfrentadas pelas instituições que aderiram aos programas de ampliação e reestruturação financiados pelo governo federal estão sendo monitoradas pelo Ministério da Educação. Para ele, a expansão é um avanço.

“Estamos terminando 3,5 milhões de metros quadrados em obras de toda ordem, que estão transformando nossas universidades. Há mais de 3,4 mil obras Brasil afora. Não se pode negligenciar os problemas que a expansão envolve, mas é natural que eles existam. É bom que a juventude e os professores cobrem também, para haver uma ação conjunta. Todo caso (de problema) é importante e estamos monitorando isso”, afirma o secretário.

Costa foi procurado pelo iG para comentar reportagens divulgadas esta semana sobre as precárias condições de ensino da unidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em Macaé (RJ) . Estudantes de Medicina procuraram a Justiça para exigir que a instituição os acomode na sede, no Rio de Janeiro, por conta da falta de infraestrutura do campus em Macaé. No curso de Engenharia , a evasão no primeiro ano de funcionamento foi de 33%.

Um relatório do MEC, feito para a abertura do curso de Medicina , já mostrava deficiências consideradas graves, como mostra reportagem do iG . O coordenador da graduação, Paulo Mendonça , acusou a avaliação de “parcialíssima”. O secretário da Educação Superior defendeu as avaliações, dizendo que elas servem para apontar “o que precisa ser melhorado e corrigido pela instituição”. Lembrou que comissões de especialistas analisam critérios de condições de ensino, mas que estudantes também passam pela avaliação para compor a qualidade do curso.

“O sistema de avaliação considera diferentes itens, como corpo docente, estudantes, infraestrutura, projeto pedagógico. Agora, para a abertura do curso, está definido em lei que a classe médica precisa ser ouvida. São órgãos sérios que fazem as avaliações. A decisão de abrir um curso é exclusiva do Conselho Superior da instituição, mas o MEC analisa a situação e os projetos para apontar o que precisa ser corrigido. Conhecendo a tradição da UFRJ, sabemos que isso vai ser aprimorado ao longo do curso”, diz Costa.

Fora de controle

O secretário fez questão de ressaltar que parte dos problemas de muitas federais em expansão foge do controle dos gestores. Ele aponta dificuldades enfrentadas com empresas contratadas para realizar obras e complicações nos processos de licitação como exemplos disso. “Não é desejável, mas acontece”, comenta. “Agora, o que é melhor: deixarmos alunos de fora do ensino superior ou conseguir soluções provisórias? A expansão é importante para o País.”

A falta de professores efetivos, que depende de autorização de concurso público, deve ser resolvida em breve, segundo ele. O projeto de lei que define a contratação de mais de 5 mil novos docentes para as universidades está no Congresso Nacional. Enquanto isso, as instituições precisam contratar professores temporários, que acabam prejudicando o ensino. Muitos já abandonaram os cursos.

Sobre os altos índices de evasão, o secretário comentou que “vários fatores” influenciam os estudantes que decidem largar os cursos. Costa garantiu que os números “não agradam o ministério” e que estão sendo feitos levantamentos em parceria com os reitores para identificar o que tem causado a desistência dos alunos para combatê-la.

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