Para ‘Dançando’, rendimento de escola do Cantagalo é culpa da secretaria

Em nota, coordenadora diz que projetos sociais no local são ‘excelentes’ e não podem ser responsabilizados por desempenho ruim

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Divulgação
Apresentação de grupo do 'Dançando para não Dançar', que atua no Cantagalo
O projeto “Dançando para Não Dançar”, que atua dentro do Ciep João Goulart – último colocado da rede municipal no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) –, no Cantagalo, afirmou, em nota, que os resultados dos projetos sociais no local “são excelentes” e “se a política educacional da Secretaria Municipal de Educação e suas equipes pedagógicas não vão bem, a culpa certamente não é dos projetos sociais”.

O iG mostrou que a escola teve a pior nota da rede municipal no Ideb 2009 – 1,8 em 10 pontos possíveis – apesar de ficar no Complexo Rubem Braga, onde funcionam o Espaço Criança Esperança, o grupo cultural Affroreggae e o Dançando para não Dançar, entre outros projetos sociais e culturais atuantes e de destaque. O local também é frequentemente visitado por políticos, como os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, o governador Sérgio Cabral, e o prefeito Eduardo Paes.

A coordenadora do “Dançando” disse que a escola não se interessou em fazer parceria com o projeto. “O Dançando não faz parte da grade curricular nem tem nenhum trabalho educacional com o CIEP João Goulart. O projeto utiliza-se do espaço físico dentro da comunidade, uma sala cedida (que adaptamos para o balé) pelo Estado desde 1995, no Ciep João Goulart. Na sala, o Projeto atende a 80 crianças e jovens do Complexo Pavão-Pavãozinho e Cangalo. Apenas dez das nossas crianças estudam no Ciep. Infelizmente não conseguimos fazer essa parceria. Trabalhamos lá das 17h às 21h , de segunda a quinta-feira.”

De acordo com Thereza, uma parceria do gênero foi feita com o Ciep Salvador Allende, no Morro dos Macacos, em Vila Isabel. “O Salvador Allende é o único Ciep em que o Dançando Para Não Dançar conseguiu fazer parte da grade curricular e alcançou as metas de 2012, estabelecidas pelo Ideb e Ide-Rio (Índice de Desenvolvimento de Educação Rio), já em 2009.”

De acordo com o Dançando para não Dançar, o projeto atua em 13 comunidades, atende a cerca de 840 crianças e jovens. Tem uma escola técnica no Centro do Rio e, desde 2004, um grupo profissionalizado de bailarinos, a “Cia. Dançando para Não Dançar”. Alunos do projeto têm hoje carreira internacional, na Alemanha, Estados Unidos e na Austrália e no Brasil.

“O projeto "Dançando para não dançar" se propõe ainda a dar suporte sócio-educativo às crianças e adolescentes, juntamente com seus familiares, fazendo com que as famílias participem de forma efetiva, comprometida e principalmente, como estimuladora fundamental para que o aluno cresça e apareça, mas desta vez nas manchetes de jornais como cidadão, que através do seu talento melhorou sua qualidade de vida, e não mais como inimigo da sociedade.”

De acordo com a nota do projeto, desde 1995 não há registro de meninas do projeto com gravidez precoce (entre 11 a 17 anos) nem de meninos e meninas do projeto envolvidos com drogas, tráfico e marginalidade. Para permanecerem no projeto as crianças precisam apresentar frequência e rendimento escolar.

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