Olimpíadas mudam rotina de professores

Profissionais da educação recebem treinamento especial e acabam mudando as práticas pedagógicas dentro da sala de aula

Priscilla Borges, iG Brasília |

As experiências de participação em maratonas de conhecimento não mudam apenas a realidade do aluno. Professores e escolas também são beneficiados por elas. A Olimpíada Brasileira de Língua Portuguesa foi criada a partir de um projeto que já era desenvolvido pela Fundação Itaú Social. Desde sua criação, o grande foco é o professor.

Sonia Madi, que trabalha com o evento no Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) desde 2002, conta que o maior objetivo do programa é ajudar os professores a dar aulas melhores. O Cenpec é responsável pelas atividades pedagógicas desde a criação.

“Para os alunos, a competição fortalece a autoestima. Além de escrever melhor, a experiência amplia o universo cultural dos estudantes”, diz. Para o professor, que ela julga muito desacreditado pela sociedade, a olimpíada significa a oportunidade de modificar práticas pedagógicas.

Sonia destaca que isso só é possível porque, no caso da Olimpíada de Língua Portuguesa, os professores recebem muitas orientações antes e depois da competição. O Cenpec elabora materiais didáticos, que serão distribuídos a todas as escolas do País este ano, e prepara durante um ano os docentes participantes. A competição é realizada a cada dois anos.

“Queremos transformar os professores vencedores em vitrine. Eles se tornam referência para outros educadores. Isso é importante porque mantém o entusiasmo e o interesse em continuar fazendo um ensino diferente”, defende Sonia. Para ela, o papel da competição deve ser o de integrar todos os alunos e não investir somente naqueles que demonstram mais habilidade para a área.

A Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, por exemplo, se dispõe a suprir uma falha de formação dos professores e ajudá-los a ministrar os conteúdos das áreas produzindo materiais didáticos de qualidade. João Batista Garcia Canalle, coordenador nacional da OBA, diz que faltava apoio para o educador. “Na universidade, eles não recebem formação adequada sobre esses conteúdos”, lamenta.

Criada há 13 anos, a OBA tem um número de participantes cada vez maior. Em 2009, 868 mil alunos participaram das atividades da competição em 10,5 mil escolas. “Nossa grande preocupação é apoiar o professor de toda maneira possível. Criamos materiais impressos e vídeos e distribuímos a todos os colégios.”

A próxima iniciativa da organização é enviar 20 mil lunetas às escolas públicas que participam do evento. Elas serão acompanhadas de vídeos explicativos sobre montagem e utilização para observações do céu. “Todo mundo sai ganhando. Divulgamos as pesquisas brasileiras, os conteúdos de astronomia, há um salto gigantesco de conhecimentos que é repassado para a escola”, diz.

César Camacho, diretor geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada, que prepara as olimpíadas de matemática do País, acredita que o impacto das competições se estende em toda a escola. “Pretendemos identificar a criatividade e a originalidade do pensamento das crianças. Isso motiva e aumenta a autoestima de todos.”

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