Olimpíadas do conhecimento ganham destaque no País

Estudantes e especialistas são unânimes: estudar para estas competições ajudam a vida acadêmica e profissional

Priscilla Borges, iG Brasília |

Gilvan Menegotto, Marcelo Ferreira, Clara Bicalho, Felipe Albuquerque, Rafael Ramos e Luciana Saemi Makamishi são veteranos em olimpíadas. Nas categorias em que competem, no entanto, não há disputa envolvendo forma física ou técnica adquirida pelo competidor. O que vale é o conhecimento nas mais variadas disciplinas: matemática, física, química, biologia, língua portuguesa, astronomia e astronáutica ou atualidades.

A grande recompensa para os que aderem a esta modalidade de competição é o que se aprende com tantas horas dedicadas ao estudo. E os melhores são premiados. Ganham diplomas, medalhas e até bolsas de iniciação científica.

Marcos Brandão/OBrittoNews
Marcelo Caio exibe as medalhas conquistadas
Marcelo Caio Ramon e Barros Ferreira, de 18 anos, começou a participar de olimpíadas de matemática na 6ª série do ensino fundamental. Os professores do Colégio Militar de Brasília, onde estudava, incentivavam os alunos a encarar esses desafios. Para ele, as disputas foram fundamentais. “Me sinto mais preparado. Enfrentei a competição do vestibular e, daqui a pouco, será o mercado de trabalho.”

Para o jovem, que cursa direito na Universidade de Brasília (UnB), estudar matemática é um prazer. Com os prêmios que ganhou, se sentiu estimulado a continuar estudando o tema. Marcelo ganhou uma bolsa de iniciação científica no Departamento de Matemática da UnB por causa da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep).

O futuro bacharel em direito vai passar quatro anos aprofundando os conhecimentos de matemática na UnB. Quando terminar o curso, sairá com o título de mestrado na área. “É um hobby, mas pode me ajudar a entender algumas coisas, como os conteúdos de economia”, afirma o jovem, que ganhou medalha de bronze na Olimpíada Brasileira de Matemática em 2003, ouro na Obmep em 2006 e, ano passado, prata.

Além de medalhas, a participação na Obmep rendeu a Luciana Saemi Makamishi, de 18 anos, preparação para o vestibular. Ela garante que os estudos específicos da disciplina contribuíram para o bom desempenho nas provas e a aprovação no curso de medicina da UnB. “Foi um estímulo para continuar investindo em outros projetos também.”

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Aula no Colégio Militar de Brasília
O Colégio Militar de Brasília tem tradição nas mais variadas olimpíadas. Os professores incentivam os estudantes, desde crianças, a participar desse tipo de competição. “Acredito que muda completamente a vida do estudante. É uma forma de se avaliar e ser reconhecido nacionalmente ou quem sabe até internacionalmente”, diz o coronel Samuel Rorn Pureza, subdiretor de ensino da escola. Além disso, o coronel acredita que a proposta pedagógica se fortalece porque o professor propõe uma nova forma de olhar o conteúdo.

Os estudantes concordam com o professor. Clara Bicalho, 15 anos, participou da primeira competição na 6ª série do ensino fundamental. Hoje, disputa medalhas nas olimpíadas de matemática, física, astronomia, química e português. “Acho interessante testar meus conhecimentos em provas nacionais. O espírito de competitividade que a gente cria ajuda a acelerar o raciocínio.”

A curiosidade estimulou Felipe Albuquerque, 17 anos, a participar de olimpíadas. Bolsas de estudo também são um atrativo extra. “Acho que tudo vai me ajudar na preparação para o vestibular do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, que é difícil”, afirma. Daniel Ramos, 16, vai além. “A gente ainda se diverte com as provas.”

Descoberta de talentos

Além de estimular os estudantes a se dedicarem a temas específicos fora da sala de aula e, em geral, de maneira mais lúdica, as olimpíadas de conhecimento pretendem descobrir novos talentos. Euclydes Marega Junior, professor de física do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo e coordenador da Olimpíada Brasileira de Física (OBF), defende a experiência.

“Dentro do universo de participantes podemos perceber aqueles que gostam mais da área e motivá-los a seguir carreira científica”, diz.

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Clara Bicalho, aluna do Colégio Militar
O evento pode ser um aliado do professor, tornando-se parte do processo de ensino. Euclydes explica que as atividades da OBF são organizadas dentro das escolas pelos próprios professores, que recebem apoio da equipe responsável pela competição.

Por ano, a OBF atende a 250 mil estudantes brasileiros. Um número pequeno, segundo a organização. Como a olimpíada pretende ser uma atividade extracurricular, que estimule o ensino de física nas escolas, a organização vai criar uma parceria com a Obmep. Isso significa que os alunos das escolas públicas terão uma competição exclusiva também.

O projeto pretende unificar as inscrições. Assim, o aluno que participar da Obmep poderá, se quiser, participar automaticamente da Olimpíada Brasileira de Física das Escolas Públicas (Obfep). A experiência piloto será feita em São Paulo, Piauí, Bahia e Goiás no mês de junho. O evento será temático: todas as questões das provas serão relacionadas à Copa do Mundo de Futebol.

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