Oferta de educação superior precisa triplicar, dizem especialistas

Para que o Brasil absorva os estudantes que concluem a educação básica e cubra o déficit de profissionais especializados no mercado, é preciso que a oferta de vagas no ensino superior triplique. Especialistas que vão participar da Conferência Nacional de Educação (Conae), em Brasília, apontam a ampliação das vagas, o controle da qualidade e a melhoria da educação básica como os principais desafios para o ensino superior.

Marina Morena Costa, iG São Paulo |

Em 2008, segundo o último censo escolar do Ministério da Educação, 5 milhões de estudantes estavam matriculados em faculdades e universidades. Para Paulo Barone, doutor em Física e presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE), este número deveria chegar a 15 milhões.

Marina Morena Costa   
Oferta de vagas precisa triplicar
Nós temos um contingente de pessoas graduadas no Brasil muito pequeno que alcança possivelmente 11 milhões de pessoas, e apenas 5 milhões na graduação. Isso projeta uma quantidade de pessoas insuficiente para dar conta dos desafios econômicos e do desenvolvimento do País, enfatiza Barone.

Democratizar e expandir a oferta de educação superior, sobretudo da educação pública, sem descurar dos parâmetros de qualidade acadêmica é um dos pontos que será debatido e destrinchado em metas durante a Conae. A Conferência irá elaborar um documento no qual o Congresso Nacional irá se basear para redigir e aprovar o próximo Plano Nacional de Educação (PNE) ¿ que vigorará entre 2011 e 2020.

A democratização e a expansão só serão alcançadas, na avaliação de Barone, com a melhora da educação básica. A cada dez crianças que se matriculam na educação básica, apenas três terminam o ensino médio. Essa perda reduz a oportunidade para que os estudantes possam ingressar no ensino superior, argumenta.

A presidente do CNE, Clélia Brandão, concorda com a avaliação do professor: Precisamos entender que existe uma íntima relação entre educação básica e educação superior. De acordo com Clélia, a demanda frágil na educação superior é reflexo direto da alta evasão escolar e das deficiências do ensino médio, que não tem conseguido fazer com que os jovens concluam a etapa de forma adequada.

Segundo Clélia, o problema do ensino superior tem raízes mais profundas. A universalização da educação básica é condição para a democratização do acesso à educação superior. Precisa haver um diálogo cada vez mais estreito entre as duas etapas, afirma.

Outros desafios apontados pelos membros do conselho são a ampliação dos recursos (em 2008 a educação superior recebeu 0,7% do PIB) e a fiscalização da qualidade. Uma boa parte do investimento deve ser público. Também podemos receber recursos em forma de programas e financiamentos como o ProUni (Programa Universidade Para Todos, que concede bolsas de estudo à estudantes de baixa renda), destaca Barone.

Quanto à qualidade, o professor avalia que a regulação deve ser apertada: É preciso refinar a qualidade. As avaliações têm que ser intensificadas e as políticas de regulação precisam inibir práticas de má qualidade e estimular as boas práticas.

Metas

O atual PNE, que vigora até o fim deste ano, tinha como meta ter 30% da população de jovens entre 18 e 24 anos no ensino superior. Estamos um pouco abaixo da metade desse número, considerando instituições públicas e privadas, diz Barone. Segundo o professor há uma proposta de ampliar a meta para 40% no próximo plano. Se considerarmos padrões internacionais, teríamos de ter uma meta ainda maior, diz.

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