Oceano de Plástico?

Mais de 46.000 peças despedaçadas do material estão flutuando em cada um quilômetro e meio quadrado de oceano. No Pacífico Central, existem até seis quilos de lixo marinho para cada de plâncton*

Isis Nóbile Diniz |

Acordo Ortográfico

Recentemente, a internet foi inundada por uma série de plasticidades. O Greenpeace Internacional denunciou que, no norte do Oceano Pacífico , existem duas manchas flutuantes de plástico. Todos os anos são produzidos por volta de 137 bilhões de quilos do material no mundo. Esse montante possui três destinos: ir para aterros ou lixões, à reciclagem ou ao oceano.

De acordo com o Greenpeace Internacional, a área máxima que o acúmulo do lixo ¿ em sua maioria plástico ¿ atinge no Pacífico é do tamanho do estado americano do Texas. Tanto resíduo seria, em sua maioria, proveniente do continente. O demais é despejado pelos navios e plataformas no mar.

A instituição afirma que essas duas manchas de lixo se formaram devido às correntes marinhas. Elas carregariam esse material, aos poucos, para o centro de dois vórtices ¿ correntes circulares. O movimento circular dos vórtices prenderiam o lixo dentro deles. O Pacífico é a maior bacia de água salgada do planeta. O mais extenso e volumoso oceano.

Como funcionam as correntes marinhas

Ronald Buss de Souza, oceanógrafo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), monitora os oceanos via satélite. O estudioso explica que o oceano possui movimentos de correntes na superfície, nas profundezas e entre ambos. O movimento das águas, na camada superficial, é regido por um sistema de correntes, diz. Acima da Linha do Equador, as correntes giram no sentido horário. Ao sul, no anti-horário.

Essa relação se deve entre a densidade da água e a rotação do planeta Terra. De maneira simplificada, a água na linha do equador evapora devido ao calor. Assim, a água do mar fica mais salgada, consequentemente, mais pesada. A pressão que esse peso exerce faz com que se desloque. Ao entrar em contato com águas mais leves, geralmente devido às chuvas, perde força e volta à Linha do Equador.

Se eu lançar uma garrafa aqui do Brasil, respectivamente, ela passa perto da Argentina, da África, da linha do Equador, volta para o Brasil próxima à cidade de Natal e, por fim, para São Paulo, explica Souza. Esse trajeto demora três ou quatro anos para se completar. No Pacífico, a volta da corrente que passa pelos Estados Unidos, Japão e Ásia leva o dobro desse tempo.

Acontece que seria improvável que o plástico carregado por essas correntes se concentrassem no centro. Não existe corrente marinha que transporte água, diretamente, da parte costeira para o centro, conta o pesquisador. O oceanógrafo afirma que esse acúmulo poderia ser possível dentro de giros menores - dos sub-giros - quando as correntes se bifurcam. Se o plástico for derrubado diretamente dentro do centro do vórtice, lá ficará. Boiará até se decompor ou afundar. Dentro dos vórtices, essa circulação, praticamente, inexiste.

"A imagem mostra como o lixo jogado do continente é levado pelas correntes marítimas para dentro do Oceano Pacífico e fica preso devido ao movimento de dois vórtices. Como consequência, nessas áreas, as águas superficiais contém seis vezes mais plástico do que plâncton." (Imagem/Reprodução-Greenpeace)

O dano ao meio ambiente

Independente de onde o lixo estiver no oceano, ele pode causar danos inestimados. Os animais morrerem porque comeram o plástico é um problema mais local. Pior que isso é a degradação química do material , dos fertilizantes jogados no rio que desembocam no mar ou da tinta usada para pintar o casco do navio, diz. A química usada para dar cor ao plástico, por exemplo, pode ser cumulativa nos animais marinhos. Ainda não calculamos o impacto no meio ambiente, diz Souza.

A presença do homem no mar pode ser catastrófica, afirma o pesquisador. Maior exemplo é o aquecimento global que afeta a circulação dessas correntes. Afinal, qual a importância delas? São responsáveis por conservar a energia do planeta, pelo clima em que se vive hoje. Elas levam o calor do Equador para os polos . A partir disso, a vida nos polos é possível. Sem o sistema de corrente, toda a Europa Ocidental ficaria congelada. A Inglaterra seria tão fria quanto à Sibéria, explica o oceanógrafo. E os furacões que atingem a costa dos Estados Unidos mais fortes, completa.

Além do problema do plástico, há também o lixo atômico acumulado no fundo dos oceanos por causa dos testes nucleares realizados no século passado, principalmente, pela atual Rússia e Estados Unidos. Existe um grande risco da radiação afetar a vida marinha e, inclusive, os seres humanos.

Curiosidades

  • A população mundial consome um milhão de sacos plásticos por minuto;
  • A produção de plástico é 20 vezes maior hoje do que há 50 anos atrás;
  • Uma família do Brasil descarta, aproximadamente, 280 quilos de plástico anualmente;
  • Cerca de 80% do lixo plástico é composto por embalagens utilizadas apenas uma vez;
  • De todo o petróleo empregado no mundo, 4% é encaminhado para fazer plástico;
  • Cada brasileiro gera um quilo de lixo por dia, sendo 20% de plástico;
  • No Brasil, 20% do plástico pós-consumo ou 520 mil toneladas são recicladas por ano;
  • O produto pode demorar até 500 anos para se decompor no meio ambiente.

Fontes: Fundação Verde (Funverde) e Associação Brasileira das Indústrias de Embalagens Plásticas Flexíveis (ABIEF).

*Dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), de 2006.

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