O que aprendi no meu estágio

Jovens contam como a fase inicial da vida profissional pode impulsionar a carreira

Marina Morena Costa, iG São Paulo |

A escolha de um estágio pode significar o início da carreira profissional. Ao experimentar diferentes áreas de atuação da profissão, estudantes descobrem o que gostam de fazer, conhecem o mercado de trabalho e colocam em prática a teoria aprendida na faculdade.

O iG ouviu jovens recém-formadas que trabalham nas empresas nas quais ingressaram quando ainda eram universitárias. Os depoimentos revelam que a curiosidade levou ao início de uma carreira em uma grande empresa. Esqueça a história de servir cafezinho e tirar Xerox, essas profissionais colocaram a mão na massa desde cedo.

Bruno Maciel/FotoArena
Ana Carolina, engenheira de alimentos, se destacou na área estratégica da profissão
Campinas-São Paulo

A engenheira de alimentos Ana Carolina Erlinger, de 24 anos, enfrentou dois anos de viagens diárias entre duas cidades para conciliar o estágio na Unilever, em São Paulo, e a faculdade na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a 100 km da capital. “Vinha trabalhar às 5h30 e ia para a aula à noite. Tive de administrar meu tempo de uma forma que eu não fazia antes, porque morava do lado da faculdade”, conta.

O estágio na área de alimentos, caldos, sopas, molhos, era no escritório da empresa e não em um laboratório ou na fábrica. “Eu trabalhava na área de inovação, mas acompanhava os trâmites de engenharia e tecnologia. Vi os dois lados, tanto da engenharia de produção, desde o início do processo de um produto, e toda a parte de marketing e definição da marca também. Escolhi trabalhar no escritório porque não me interesso pela parte de pesquisa, formulação. Gosto de estruturar o plano.”

Ana Carolina afirma que o estágio foi um bom período para assimilar os conceitos aprendidos na faculdade. “Muitas vezes eu não me sentia confortável pra desempenhar uma determinada tarefa. No estágio eu fiz, vi onde errei, aprendi com os meus gestores e me senti mais segurança. Quando elaborei uma análise de pontos críticos de controle de um produto, fiz com base no que eu tinha aprendido na faculdade. Na hora que mostrei aos coordenadores, eles me disseram ‘ok, mas isso é apenas um terço’ e apontaram o que faltava. Percebi que eu realmente não tinha colocado muitos detalhes. Foi muito enriquecedor”, relata.

Descoberta

Para a jornalista Milena Buosi, de 25 anos, a área de comunicação institucional da Natura foi uma boa surpresa. “Já tinha estagiado em TV, jornal impresso e rádio, dentro das opções que o curso de jornalismo me oferecia. Essa foi uma experiência nova, em comunicação empresarial, e eu me identifiquei; gostei do dia-a-dia, da visão de negócio que a área proporciona. Era uma área pela qual eu me interessava, mas não achava que construiria minha carreira nela”, conta.

Milena ingressou na área de materiais institucionais, comunicação interna e divulgação da marca, cuja principal publicação é o relatório anual da empresa. “É um livro bastante visual com os resultados nas áreas social, ambiental e econômica. Entrei bem na época da produção deste relatório e já comecei com a mão na massa. Fui bastante envolvida, acompanhei etapas processuais e nas edições seguintes, me envolvi mais ainda.”

Apesar de ter tido disciplinas de comunicação empresarial na faculdade Metodista, Milena sentiu diferença ao trabalhar em uma grande empresa. “Fazer material corporativo era muito diferente do que eu tinha aprendido. Tive aulas de comunicação institucional, de como montar planos de comunicação, mas quando você chega à empresa, o mundo é novo, a realidade é diferente”, avalia.

Para a jornalista, a melhor parte do estágio foi “a oportunidade de aprender”. “A relação é diferente durante o estágio. Você tem responsabilidades, mas o seu papel é diferente, você pode acessar seu instrutor e pode ter quantas dúvidas você quiser. Pra mim foi uma fase de aprendizado. No estágio eu acompanhava, hoje executo.”

Divulgação
Formada em administração de empresas, Paola quer se especializar em finanças
De repente, finanças

A vida da administradora de empresas, Paola Leuzzi, de 24 anos, deu uma guinada para a área de finanças depois de entrar no programa de trainee da consultoria Terco Grant Thornton. “Entrei na Terco meses antes de me formar na ESPM (Escola de Propaganda e Marketing). Trabalhava com consultoria, mas em outro segmento e queria uma empresa maior, de auditoria financeira. Gostava da área de finanças, de avaliação de empresas, análise de fusões e aquisições”, conta Paola que se prepara para iniciar uma pós-graduação em finanças.

Paola avalia que a faculdade de administração tem muitas falhas na área financeira. Fato que ela constatou no trabalho. “Na faculdade, as aulas de finanças não são tão profundas como no dia-a-dia da empresa. Também não é dada uma atualização referente às novas leis, porque a contabilidade muda muito. Aprendemos o básico que está no livro. Em quase dois anos de empresa avancei muito tecnicamente.”

Desde os primeiros meses, Paola conta que participava dos processos de análise e se sentia “parte da empresa”. “Participei integralmente dos processos de análise de uma empresa, desde o começo do treinamento. Fazemos projeção de resultados, análise de balanço, estimamos valor de mercado, avaliamos propostas de compra e venda”, descreve.

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Laís não imaginava trabalhar com indústria farmacêutica, mas gostou da área
Efetivada aos 21 anos

Quando a relações públicas Laís Tricta, de 22 anos, se inscreveu no processo seletivo para estagiar na Boehringer Ingelheim, não imaginava que seria efetivada oito meses depois. “Não esperava a contratação porque faltava mais de um ano para eu me formar. Acredito que olharam para o que eu tava fazendo aqui dentro. O escopo e as responsabilidades que eles me deram ajudaram a efetivação. Sem isso não perceberiam o meu potencial”, conta.

Outra surpresa foi trabalhar em uma indústria farmacêutica. “Até então, não sabia o que eu queria, não tinha um ramo definido. Quando comecei a pesquisar sobre as possibilidades de estágio, achei interessante esta área. A comunicação é bem valorizada pela indústria farmacêutica. Percebi que seria um campo desafiador”, lembra Laís.

Laís colaborava nas atividades de responsabilidade sócio ambiental, relacionamento com os públicos, imagem corporativa e coordenação do trabalho da agência de comunicação da empresa. “Tive que aprender a mexer no site institucional, algo que eu nunca tinha feito antes. Mas o melhor aprendizado foi a visão do todo, perceber o quanto o meu papel é importe dentro do conjunto da empresa.”

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