O Phelps da matemática

O Brasil ganhou uma medalha de ouro, duas de prata e três de bronze, além de quatro menções honrosas, na 15ª Competição Internacional de Matemática para Estudantes Universitários (IMC), realizada no final de julho, em Blagoevgrad, na Bulgária.

Agência Fapesp |

O destaque ficou para Fábio Dias Moreira, aluno da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), que ganhou o ouro pela quarta vez seguida na competição, em um domínio que lembra o do norte-americano Michael Phelps nas piscinas.

A nova medalha se soma a uma notável coleção que agora reúne 36 peças, sendo 27 de ouro, quatro de prata e cinco de bronze, acumuladas em disputas em diversos países. Mas, para sorte dos adversários, a carreira vitoriosa de Moreira em tais competições está chegando ao fim.

"Este é meu último ano em olimpíadas do gênero. Como vou me graduar, não poderei mais participar. Terei que pendurar a caneta, mas estou feliz por ter tido uma carreira olímpica proveitosa", disse o estudante de matemática e física à Agência FAPESP.

"Participo de olimpíadas de matemática desde os 10 anos de idade. São 12 anos de estudo e dedicação à área, o que me fez ficar bastante acostumado com o ambiente das competições e com os problemas propostos. Essa foi a minha quarta participação na IMC e em todas conquistei o ouro", disse.

A IMC é destinada a estudantes que cursam do primeiro ao quarto ano do ensino superior e que não tenham título universitário anterior. Eduardo Rodrigues Poço e Rafael Hirama, ambos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), conquistaram medalhas de prata, e André Linhares Rodrigues, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Levi Máximo Viana, do Instituto Militar de Engenharia (IME), e José Marcos Ferraro, do ITA, trouxeram o bronze na bagagem.

As áreas de conhecimento das provas da IMC podem ser resumidas em três campos: álgebra, análise e combinatória. "Essas três englobam basicamente a matemática de graduação e são consideradas como fundamento para a matemática avançada, que se aproxima dos tópicos utilizados em pesquisas acadêmicas", explicou Moreira.

Segundo ele, participar de olimpíadas de matemática é importante também do ponto de vista cultural, em especial nas competições no exterior, que abrem portas para o desenvolvimento de projetos de pós-graduação em universidades em outros países.

"Trata-se de uma oportunidade de conhecer outros lugares e estudantes que trabalham com os mesmos tópicos inseridos na matemática universitária, além de temas que não fazem parte de nosso currículo acadêmico. A matemática é um assunto de pesquisa em constante evolução", destacou Moreira, que atualmente leciona matemática em um cursinho pré-vestibular na capital fluminense. "Estou ajudando a treinar as próximas gerações das olimpíadas", assinalou.

Nível de excelência

Participaram da IMC mais de 80 instituições de ensino superior de diversos países, entre as quais a Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, as universidades de Cambridge e de Oxford, no Reino Unido, a Universidade Complutense de Madri, na Espanha, e a Universidade de Moscou, na Rússia.

O Brasil participa da IMC desde 2003, tendo conquistado desde então 35 medalhas, sendo sete de ouro, 11 de prata e 16 de bronze, além de uma de ouro especial (Grand First Prize), oferecida somente aos melhores colocados entre aqueles que ganharam ouro.

A participação brasileira é organizada por meio da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), projeto conjunto da Sociedade Brasileira de Matemática e do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Academia Brasileira de Ciências e do Instituto do Milênio - Avanço Global e Integrado da Matemática Brasileira.

A OBM, realizada nas modalidades de ensino fundamental, médio e universitário nas instituições públicas e privadas de todo o país, tem desempenhado importante papel em relação à melhoria do ensino e descoberta de talentos para a pesquisa em matemática.

Carlos Yuzo Shine, coordenador acadêmico da OBM, destaca que os alunos brasileiros têm tido vantagens, do ponto de vista do desempenho nas competições internacionais, frente aos estudantes das principais universidades estrangeiras. "Em termos olímpicos, a matemática universitária do Brasil tem superado a das equipes de várias universidades renomadas de países como França e Estados Unidos", disse Shine à Agência FAPESP.

Os participantes, que teoricamente podem ser de qualquer carreira acadêmica, ainda que a maioria seja de cursos como matemática, computação, engenharia e física, resolveram 12 problemas de matemática em dois dias consecutivos, em um tempo de cinco horas em cada dia.

"Pelo nível técnico das provas da IMC, que é bastante elevado, os resultados dos alunos brasileiros foram muito expressivos, considerando que é preciso resolver rapidamente problemas difíceis em um tempo limitado. Por incrível que pareça, apesar do grande número de premiados, os nossos estudantes sempre voltam desse tipo de competição dizendo que poderiam ter conquistado resultados melhores. Já é tradição o Brasil trazer várias medalhas", afirmou Shine.

Mais informações: www.obm.org.br e (18) 3821-8200

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