O futuro chega às escolas

Professores descobrem que tecnologia não é inimiga da sala de aula e nem bicho de sete cabeças

Carolina Rocha |

A arte de passar conhecimentos tem sido feita nos últimos milhares de anos de diversas maneiras. Com o uso exclusivo da palavra, por meio de papéis, com a tradicional dupla giz e lousa...não importa, desde que a informação seja passada e absorvida.

Entretanto, a agilidade com que os conhecimentos circulam pelo mundo modificou a maneira com que os estudantes se relacionam com o ensino. E professores e escolas simplesmente não podiam ficar de fora dessas mudanças.

Em Lençóis Paulista, cidade do interior do estado de São Paulo (a 300 kms da capital), as novas tecnologias estão invadindo as salas de aula e modificando a rotina escolar  para melhor.

Em fevereiro deste ano, a Cooperativa Educacional de Lençóis Paulista (Cooperelp) recebeu em seu laboratório de informática um conjunto de ferramentas online e iniciou uma revolução na escola.

As ferramentas
O pacote, fornecido pelo iG Escola , é composto por um software (BlueLab) que permite a administração da aula no laboratório pelo professor, deixando visível em sua tela tudo o que os alunos estão fazendo em seus computadores, além de promover a interatividade com eles.

Com o BlueLab, o professor pode mandar um arquivo que está em sua máquina direto para um aluno ou para todos ao mesmo tempo, por exemplo.

Outro recurso é a ferramenta que cria o site da escola, muito fácil de administrar e de criar. O layout é pré-moldado e qualquer pessoa pode construí-lo sem precisar de outros softwares ou de conhecimento especializado.

O site , além de divulgar as ações da escola, tem recursos como o boletim online, onde os pais podem acompanhar as notas dos filhos; páginas dedicadas a cada professor, nas quais eles podem disponibilizar os arquivos usados nas aulas para os alunos consultarem em casa, além de uma ferramenta onde o professor disponibiliza testes de múltipla escolha ou dissertativos para os alunos resolverem em casa.

A novidade invade a escola
André Cola, professor de Matemática e com formação em Tecnologia, foi encarregado de passar os conhecimentos aos professores que não tinham intimidade com as máquinas. Foi um treinamento detalhado, que passou do básico copiar e colar ao uso dos novos softwares.

A absorção da ferramenta nos métodos pedagógicos está sendo gradual. Alguns professores, que já tinham bastante intimidade com os recursos da internet já usam o pacote plenamente. É o caso do professor Alexandre Moreira, o Alex, que dá aulas de filosofia, sociologia, literatura e empreendedorismo para os alunos do 6º ao 3º ano.

Alex usa todos os recursos, desde disponibilizar apresentações de slides e leituras complementares em sua página para os alunos consultarem até incluir o teste online entre uma das avaliações que faz durante o bimestre.

O teste é um exercício assistido, para o aprofundamento dos temas que trabalhamos em sala de aula. O sistema permite que eu deixe a prova pela quantidade de dias que eu quiser disponível, mas os alunos vão correndo responder, conta Alex.

Segundo ele, se não fosse dessa forma, não daria tempo de fazer avaliação desse tipo, que leva em conta não só as respostas, mas a participação do aluno.

Alex desenvolveu um método próprio de avaliar os alunos a partir das provas online. Eu faço uma planilha e calculo quantos alunos acertaram uma determinada questão e parto para uma revisão deste assunto em sala de aula, explica.

André Cola também usa o software a seu favor. A internet e os programas de edição gráfica já complementam a sua aula em desafios que prendem seus alunos além do horário da aula e o BlueLab o ajuda a administrar o espaço e o tempo no laboratório de informática.

Se deixar os alunos por conta própria eles acabam navegando no Orkut e no Messenger, mas o programa ajuda a focar a aula no assunto que a gente está trabalhando, comenta Cola.

A adoção das tecnologias, sejam online ou offline, está sendo implantada gradualmente na escola. Cada professor usa como e quando acha mais adequada para sua aula, explica Maria Celina Rando, coordenadora de educação dos ensinos Fundamental II e Médio.

Entretanto a escola não tem problema de aceitação e a adoção dos novos métodos está sendo disseminada por uma espécie de contágio positivo.

Maria Celina comenta que outro dia, na sala dos professores, ouvi a conversa da professora de Física com o professor de História do Brasil, que estava fazendo uma apresentação em slides para os alunos dele. Ela sugeria a ele que usasse uma tal cor, que provocaria mais reações em seus alunos e o debate já passou para o assunto da óptica.

Outros professores acabam pedindo a ajuda de Cola, o expert em computadores, para fazer seus trabalhos, mas muitos já estão criando mais confiança e passar para o uso pleno das ferramentas é uma questão de tempo.

Nós somos uma escola do interior, mas com o pé no futuro, diz Maria Celina.

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