O cotidiano de profissões pouco conhecidas

Você já parou para pensar quem é que calcula o valor da aposentadoria? E dos seguros de vida, de automóvel, de casa? E os óculos que chegam inteirinhos na ótica, quem é o responsável pelo corte das lentes?

Redação iG Educação |

Bom, para as duas primeiras perguntas, a resposta é: um atuário . Um nicho do mercado que cresce cada vez mais e que sofre com a carência de profissionais, oferecendo, por isso, boa remuneração. Para que se tenha uma ideia, as operadoras de planos de saúde terão que contratar um atuário para fazer a defesa do valor cobrado por elas. Só aí, serão requisitados 2.700 profissionais ¿ hoje, são apenas 800 formados no Brasil.

O coordenador do curso de Ciências Atuariais da PUC, professor Antônio Carlos Lopes, explica que o aluno vai lidar durante a graduação (e durante o trabalho) com muita estatística e matemática. Além disso, recebe uma boa noção de disciplinas de humanas e é formado para ter uma visão das áreas econômica e administrativa.

No Brasil, está em crescimento para os atuários um setor que já foi desenvolvido há muito nos Estados Unidos e na Europa: a análise de riscos do mercado financeiro. Os profissionais do ramo também são muito requisitados para os cálculos de valor dos planos de previdência nos municípios do interior do Brasil - pois, para ter acesso à participação nos lucros da Lei de Responsabilidade Fiscal, as cidades precisam desenvolver um plano próprio de benefícios aos servidores, e aí entra o trabalho do atuário.

Chegou a hora de responder à terceira pergunta feita no início da reportagem. Outra profissão pouco conhecida é a do surfassagista . O nome vem de surface, superfície em francês. É exatamente esse o principal trabalho do surfassagista: desgastar a superfície, dar a forma de curvatura correta à lente. Para cada grau e cada problema, uma inclinação diferente. Há 38 anos no mercado, Antônio Dias Pereira conta que a tecnologia digital tornou o trabalho muito mais refinado e hoje são usados blocos de policarbonato, e não mais de acrílico.

Esta profissão surgiu na vida de Pereira quando ele trabalhava em uma construtora, mas observou a dificuldade de um parente que tinha uma ótica em receber boas lentes. Novo, procurando um rumo diferente, ele deu à vida o caminho que seguiria até hoje.

Profissões no mínimo estranhas

Adestradora de robôs, motorista de uma indígena dona de cassino, camareira de time de futebol americano. A escritora Índigo acumula trabalhos um tanto quanto estranhos ao longo da vida, alguns deles até perigosos. Com muita criatividade, ela gerou mais algumas profissões e montou um blog , sucesso de acessos na Internet.

A autora passou alguns anos nos Estados Unidos estudando e precisava complementar a renda. Um prato cheio para a aparição de ofícios, digamos...nada convencionais. Um dos mais interessantes foi o de camareira de time de futebol americano.

Os jogadores tomam inúmeros processos de abuso sexual e, por isso, foi necessária uma reunião com as camareiras logo no primeiro dia de trabalho. Se os jogadores estão dentro do hotel, todas elas ficam do lado de fora. Se os atletas estão dentro do quarto, mantenha distância igualmente. Tudo para evitar problemas jurídicos para o clube e para os profissionais.

Índigo conta que o trabalho, desenvolvido durante os treinamentos de verão, era muito interessante: eles são todos milionários, então era muito legal entrar nos quartos e poder fuçar um pouquinho na bagagem.

Houve também o trabalho de motorista de dona de cassino. Bem simples: uma vez por semana, a indígena proprietária do estabelecimento ia até o local fazer a contabilidade.

Bastava dirigir em uma linha reta com o carro ligado numa espécie de piloto automático e responder às poucas perguntas feitas pela patroa. A escritora conta que o melhor era circular pelas terras dos índios, segundo ela um outro país.

Já no Brasil, Índigo não abandonou os empregos estranhos. Em 2000, era a hora de ser adestradora de robôs. A ideia era que uma pessoa pudesse conversar com o robô com a ilusão de que estava falando com alguém de verdade. Então, foi necessário durante um ano e meio programar todas as perguntas e respostas possíveis e imagináveis. Vai entender.

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