Novas regras de inclusão da USP não animam alunos e professores

Alunos oriundos de escola pública acreditam que percentual de calouros de escolas privadas continuará o mesmo

Marina Morena Costa e Tatiana Klix, iG São Paulo |

A mudança anunciada pela USP nesta quinta-feira, dia 31, no programa de inclusão de alunos da rede pública (Inclusp) na universidade foi recebida com desconfiança por estudantes e professores. Pela nova regra, os alunos que tiverem frequentado escola pública desde o ensino fundamental poderão receber até 15% de acréscimo na nota do vestibular , desde que já participem Programa de Avaliação Seriada da USP (Pasusp) e prestem a Fuvest como treineiros no segundo ano do ensino médio.

Para Roberto de Oliveira, de 25 anos, que se prepara para prestar vestibular para direito, as mudanças podem ser boas apenas para os alunos que estão no segundo ou terceiro ano, porque incentivam quem está estudando a se inscrever na Fuvest. “Para quem já terminou, como eu, é pior. Não tem benefício”. A partir do vestibular de 2012, os alunos oriundos do ensino médio público não receberão mais o bônus de 3% que era concedido automaticamente e terão a oportunidade de receber acréscimo na nota por mérito. Quem já concluiu o ensino médio poderá ter um aumento de no máximo 8% na nota, se conseguir acertar 60 questões na primeira fase.

A coordenadora do Cursinho da Poli, Alessandra Venturi, concorda com a avaliação do candidato a uma vaga na USP. “O aluno que já terminou os estudos, perdeu. O bônus ficou muito mais relacionado ao mérito, mas apenas para quem ainda está na escola”. Alessandra também acredita que a mudança vai fazer com que muitos alunos comecem a se preocupar com o vestibular mais cedo, uma vez que precisam prestar como treineiros e ter um desempenho razoável já no segundo ano.

Já Vinícius Hilário, coordenador pedagógico do Cursinho Popular da Associação Cultural de Estudantes e Pesquisadores da Universidade de São Paulo (Acepusp), não acredita na mobilização dos estudantes e acha que a mudança no bônus não terá um impacto significativo para quem é da rede pública. “O aluno da escola pública não tem essa cultura do vestibular. Então ter que fazer a Fuvest para ganhar um bônus pode não ser muito atraente”, avalia.

A estudante que acabou o ensino médio em 2010 Amanda Cristina Rodrigues Costa, de 18 anos, lamenta a mudança não contemplá-la e prevê que não vai fazer com que mais alunos da rede pública entrem na USP. “A única vantagem para quem ainda está no ensino médio é não ter que se preocupar com o Pasusp (no modelo antigo, os alunos precisavam prestar uma prova para contribuir no bônus). É uma prova a menos”, diz.

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