Nova presidente do Inep terá apoio dos reitores no Enem

Universidades querem auxiliar na aplicação do exame, sempre defendido por Malvina Tuttman. Para ela, Inep tem de voltar à pesquisa

Priscilla Borges, iG Brasília |

A pedagoga Malvina Tania Tuttman, ex-reitora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, assume um desafio nada fácil: a presidência do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O órgão responsável por avaliações de ensino importantes para o País enfrenta críticas e a dura tarefa de aplicar o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) sem falhas . Nos últimos dois anos, com as mudanças na prova, o Inep passou por problemas como fraude, erros de impressão nos testes e nos cartões de respostas.

Com tudo isso, a chefia do órgão mudou duas vezes. Malvina será a terceira presidente. E precisa mudar a imagem que a opinião pública fez do Enem. A seu favor, ela tem o apoio dos reitores das federais. Além de apontarem a decisão dela ao assumir o Inep nesse momento como "corajosa", eles querem participar das ações.

O presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições de Ensino Superior (Andifes), Edward Madureira Brasil, acredita que as universidades poderão contribuir para solucionar os problemas operacionais do exame, inclusive auxiliando na aplicação dos testes.

Agência Estado
Malvina Tuttman assumirá Inep em momento difícil
“Esperamos ter uma interlocução maior com o Inep e colaborar com o processo. As universidades podem ajudar na logística de aplicação, pois estão distribuídas em todos os Estados e têm experiência na aplicação dos vestibulares”, analisa. Brasil conta que a proposta já havia sido discutida na Andifes e, agora, ele espera que ganhe mais debates dentro do Ministério da Educação. “Ela é muito respeitada e terá o apoio de todos”, garante.

Apesar da experiência como gestora na Unirio, onde trabalha como reitora desde 2004, pessoas próximas dizem que Malvina poderá contribuir, especialmente, com o lado conceitual das avaliações do que com a operação. Mas ela garante que não teme os novos desafios. “Aceitei o desafio sem medo. Ensinar já um desafio e entrei pela primeira vez em uma sala de aula aos 18 anos. É uma grande responsabilidade, mas estou pronta”, garante.

Nesse ponto, o presidente da Andifes acredita que Malvina contribuirá para avançar em aspectos pedagógicos do Enem, que, na opinião dele, ficaram de lado diante dos problemas operacionais. “A prova ainda não é a ideal e precisa evoluir do ponto de vista pedagógico”, ressalta. Malvina foi uma das primeiras apoiadoras do Enem e esse é um dos pontos considerados importantes para a escolha do ministro Fernando Haddad.

A nova presidente do Inep defende ampliar o número de aplicações por ano do Enem . Mas, no momento, Malvina afirma não saber se isso será possível ainda em 2011. “Temos de avaliar a viabilidade disso. Estou conversando com as equipes e os parceiros e ainda não tenho uma resposta para isso”, afirmou em entrevista ao iG . Para ela, é preciso separar as dificuldades de operação do conceito do exame. “O Enem é um mecanismo importante de acesso, mas esse é um projeto piloto, se analisarmos o tempo de implantação, e ainda precisa ser revisto. Vamos enfrentar os problemas e melhorar o sistema”, ponderou.

A primeira inovação que Malvina pretende fazer à frente do Inep é convocar um grupo de trabalho, com representações de estudantes, professores, instituições, profissionais de educação, de secretarias estaduais e municipais e o Conselho Nacional de Educação. Ela quer ouvir a opinião dos diferentes grupos para tomar decisões. “Acho que transparência e comunicação são fundamentais. Quero formar um conselho, porque valorizo a colaboração”, disse. O reitor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Ricardo Motta Miranda, ressalta que essa é uma das características mais marcantes de Malvina. “Ela valoriza qualquer trabalho que envolva construção coletiva. Talvez pela formação até”, comenta.

Miranda apóia a escolha da ex-reitora da Unirio para o Inep. Na opinião dele, o instituto precisa de uma educadora à sua frente. Malvina já avisou também que não pretende resumir os objetivos para o futuro do Inep à aplicação do Enem. As provas se multiplicaram nos últimos anos e acabaram colocando uma das principais funções do instituto – a pesquisa – de lado. “Temos de fortalecer o Inep como um instituto de estudos e pesquisas educacionais. Uma das funções fundamentais do órgão é oferecer um diagnóstico da realidade educacional do País. Podemos contribuir muito com os avanços nessa área”, defende a presidente.

Malvina atuou como pró-reitora de extensão, tendo presidido o fórum nacional da área. Doutora em educação pela Universidade Federal Fluminense, ela disse ao iG que se surpreendeu com o convite feito pelo ministro Fernando Haddad, “antes do início das inscrições do Sistema de Seleção Unificada (SiSU)”, processo que acabou relacionado à demissão de Joaquim José Soares Neto, ex-presidente do Inep . O órgão não é responsável pelas inscrições no sistema e, segundo o MEC, Neto havia pedido demissão em dezembro.

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