Nobel de Química em visita ao Brasil é contratada pelo governo

Ada Yonath é a primeira cientista de excelência a fazer parte do programa que enviará brasileiros ao exterior

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

Ada Yonath, a prêmio Nobel israelense em visita ao Brasil, deixa Campinas, em São Paulo, nesta quinta-feira para retornar com frequência pelos próximo três anos. O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Aloizio Mercadante, aproveitou a estada dela no País para convidá-la a ser a primeira cientista de excelência a fazer parte do Programa Ciência Sem Fronteiras, que enviará 75 mil brasileiros ao exterior .

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Ada Yonath, prêmio Nobel de Química aceita proposta do governo para trabalhar no Brasil por três anos
Segundo Mercadante, serão contratados 360 pesquisadores de alto nível do exterior. A israelense estava na Universidade de Campinas em um evento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), junto com outros três ganhadores de Nobel de Química e 14 outros pesquisadores palestrantes. Nesta sexta-feira, ela conclui a visita ao País com uma passagem pela Universidade de São Paulo (USP).

Na quarta, a convite do ministro, ela foi a Brasília firmar o acordo.  "Fiquei lisonjeada com o convite, que já foi aceito, mas ainda não tenho os detalhes de como vai funcionar", disse ao iG . Nobel em 2009, ela foi conhecida por pesquisas desenvolvidas sobre a estrutura e a função do ribossomo.

Segundo o ministério, ela residirá no Brasil, em Campinas, entre 2012 e 2014 com intervalos. Neste período atuará no Laboratório Nacional de Luz Síncroton, vinculado ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais.

Mercadante anunciou que 360 pesquisadores de alto nível do exterior terão bolsas do Ciência Sem Fronteiras até 2014. “Queremos atrair pesquisadores de ponta para que façam estudos em temas de nosso interesse. Além disso, por meio do programa queremos repatriar nossos cientistas que estão lá fora.” Ada também será a embaixadora do programa em seu país. Segundo ela, esta será a primeira experiência em que desenvolve pesquisas em outros países.

A cientista de 70 anos é cristalográfica no Weizmann Institute of Science, Rehovot, Israel. Formou-se em Química na Universidade Hebréia de Jerusalém, em 1962. Na mesma instituição cursou mestrado em Bioquímica, onde foi titulada em 1964. Quatro anos mais tarde se tornou Ph.D em Radiografia de Cristais no Instituto de Ciências Weizmann.

O Prêmio Nobel de Química, em conjunto com Venkatraman Ramakrishnan e Thomas Steitz, foi obtido depois de seu sucesso nas pesquisas sobre um dos processos centrais da vida: a tradução, realizada pelo ribossomo, da informação contida no DNA. Quarta mulher a receber a premiação, ela disse durante evento na Unicamp que a ciência "não tem gênero ou nacionalidade".

O Programa Ciência Sem Fronteiras, lançado pelo MCTI e pelo Ministério da Educação (MEC), disponibilizará 75 mil bolsas de estudo, em quatro anos, para promover o intercâmbio, de forma que alunos de graduação e pós-graduação façam estágio no exterior para manter contato com sistemas educacionais competitivos em relação à tecnologia e inovação.

O ministro informou que todo medalhista na Obmep terá direito a uma bolsa pelo Programa Ciência Sem Fronteiras.

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