Idade avançada é entrave para superar analfabetismo, apontam especialistas http://educacao.ig.com.br/us/2009/05/12/analfabetismo+funcional+e+mais+um+desafio+que+o+brasil+precisa+enfrentar+6065989.html target=_topAnalfabetismo funcional é mais um desafio que o Brasil precisa enfrentar http://educacao.ig.com.br/us/2009/05/12/mec+nao+consegue+atrair+professores+formados+para+trabalhar+em+turmas+de+alfabetizacao+6065992.html target=_topMEC não consegue atrair professores formados para trabalhar em turmas de alfabetização" / Idade avançada é entrave para superar analfabetismo, apontam especialistas http://educacao.ig.com.br/us/2009/05/12/analfabetismo+funcional+e+mais+um+desafio+que+o+brasil+precisa+enfrentar+6065989.html target=_topAnalfabetismo funcional é mais um desafio que o Brasil precisa enfrentar http://educacao.ig.com.br/us/2009/05/12/mec+nao+consegue+atrair+professores+formados+para+trabalhar+em+turmas+de+alfabetizacao+6065992.html target=_topMEC não consegue atrair professores formados para trabalhar em turmas de alfabetização" /

No ritmo atual, Brasil ainda levará décadas para erradicar o analfabetismo

BRASÍLIA - Se o ritmo de redução da população analfabeta permanecer o mesmo dos últimos anos, o Brasil ainda levará algumas décadas para se livrar de um problema que hoje atinge um em cada dez brasileiros: o analfabetismo. No ano 2000, na Conferência Mundial de Educação, em Dacar (Senegal), o Brasil assinou junto com 128 países um pacto para melhorar a qualidade do ensino. Entre as metas estabelecidas, está reduzir pela metade a taxa de analfabetismo no País até 2015, chegando ao percentual de 6,7%. http://educacao.ig.com.br/us/2009/05/12/idade+avancada+e+entrave+para+superar+analfabetismo+apontam+especialistas+6065985.html target=_topIdade avançada é entrave para superar analfabetismo, apontam especialistas http://educacao.ig.com.br/us/2009/05/12/analfabetismo+funcional+e+mais+um+desafio+que+o+brasil+precisa+enfrentar+6065989.html target=_topAnalfabetismo funcional é mais um desafio que o Brasil precisa enfrentar http://educacao.ig.com.br/us/2009/05/12/mec+nao+consegue+atrair+professores+formados+para+trabalhar+em+turmas+de+alfabetizacao+6065992.html target=_topMEC não consegue atrair professores formados para trabalhar em turmas de alfabetização

Agência Brasil |

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2007 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que 14 milhões de analfabetos vivem hoje no País. O contingente representa 10% da população com mais de 15 anos. Se em 15 anos o percentual de pessoas que não sabem ler e escrever caiu de 17,2%, em 1992, para 9,9%, em 2007, nos últimos anos o ritmo de queda está praticamente estagnado. De 2005 para 2006, a redução foi de 0,7% e de 2006 para 2007, de 0,4%.

Para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), responsável por monitorar o compromisso Educação para Todos, firmado durante a Conferência Mundial de Educação, vai ser muito difícil o Brasil atingir a meta esperada para 2015. Isso exigiria um esforço muito maior do que o que está sendo feito. A gente espera que o Brasil consiga atingir a meta, mas acho que isso ainda vai permanecer no reino dos desafios, diz o especialista em educação de jovens e adultos da Unesco, Timothy Ireland.

A principal estratégia do Ministério da Educação (MEC) para reduzir o problema é o programa Brasil Alfabetizado, que dá apoio técnico e financeiro para que municípios e Estados criem turmas de jovens e adultos. A meta é atender 2,2 milhões de pessoas em 2009.

"O programa é muito complexo de implementar, não é simples. Isso porque você precisa mobilizar o analfabeto, criar condições de formar o alfabetizador. É um público difícil e as razões para isso estão na história que ele traz. Em geral, o analfabeto tem muito pouca confiança na sua capacidade de aprender, afirma o secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC, André Lázaro.

Na opinião de especialistas, o analfabetismo também potencializa e multiplica situações de exclusão, além de submeter as pessoas a constrangimentos e a situações de preconceito.

Por não saber ler, a aposentada Áurea Freitas de Souza, 85 anos, conta que precisa de ajuda em tarefas simples do dia a dia, como ler receitas de comidas, de remédios e pagar contas. Quem não sabe ler nem escrever está na escuridão, fora do mundo. Parece que não existe, resume a moradora do Rio de Janeiro.

A aposentada criou suas próprias estratégias para driblar as dificuldades decorrentes do analfabetismo. Para pegar ônibus, por exemplo, ela aprendeu a identificar as letras do destino ou os números do veículo. Quando precisa ir ao banco pagar uma conta, sai de casa com o dinheiro contado.

Além de alfabetizar aqueles que não tiveram acesso ao ensino, para encerrar o ciclo do analfabetismo é preciso trabalhar também na outra ponta: garantir a qualidade da educação para que a escola não produza novos analfabetos.

Para o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Marcelo Medeiros, esse problema é ainda mais grave. Ainda que essas crianças não sejam analfabetas completas, mas funcionais, elas saem da escola sem capacidade de letramento, sem capacidade de dominar os textos. Isso é preocupante e é sinal do mau funcionamento do sistema de ensino, alerta.

Os especialistas entrevistados pela Agência Brasil acreditam que os motivos para a persistência do problema estão ligados a campanhas de mobilização ineficazes, à má qualidade do ensino público como um todo e à falta de oferta de cursos de educação de jovens e adultos para que os alfabetizados possam continuar os estudos.

Além de políticas ineficazes, falta consciência social sobre o problema, na avaliação da especialista da USP. Há uma certa invisibilidade desse tema, como se pudéssemos passar à margem de 14 milhões de brasileiros. Não é um problema residual, nem um problema do passado. É um problema que se repete a cada dia, alerta Maria Clara.

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