No Distrito Federal, merenda ainda carece de mais frutas e verduras

Pelo menos uma vez por semana, os estudantes do Distrito Federal comem galinhada, canjica e macarrão na escola. O cardápio da merenda escolar na capital do País não varia muito. Para as crianças, comer galinhada toda semana não é nenhum problema, porque eles adoram. ¿É a comida mais gostosa¿, garante Eric Vasconcelos Lima, 7 anos, aluno da Escola Classe 209 Sul. Mas, para os nutricionistas, a dieta não é a ideal. Faltam alimentos in natura (frutas e verduras) e variedade no cardápio.

Priscilla Borges, iG Brasília |


O problema tem explicação. E deixa insatisfeita a equipe responsável pelo Programa de Alimentação Escolar do Distrito Federal ¿ que conta com apenas duas nutricionistas para elaborar os cardápios, montar as licitações para aquisição de alimentos, organizar a distribuição da comida e fiscalizar o projeto nas escolas. A grande dificuldade é realizar as compras dos insumos. A lentidão dos processos de licitação não permitiu que as mudanças planejadas para 2008, por exemplo, chegassem às escolas até hoje.

Igo Estrela/Agência ObritoNews

Alunos almoçam na Escola Classe 209 Sul, em Brasilia

A gente cria expectativas para variar os cardápios, mas não consegue por causa da burocracia na aquisição de alimentos, reclama Kelen Pedrollo, gerente de Alimentação Escolar do DF. A saída encontrada pelas nutricionistas é comprar alimentos já registrados em processos de licitação de outros Estados. Mas o tamanho da rede pública do DF também se torna complicador. Não é qualquer pregão que dá conta de atender a nossa rede. Distribuímos 500 mil refeições por dia em 658 escolas, conta Kelen.

As refeições distribuídas pela rede pública, de acordo com Kelen, seguem as normas estabelecidas em lei para cada faixa etária. Quantidade de calorias, percentuais de gorduras, proteínas, açúcar. Tudo está definido na Resolução 38/2009 do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). No mesmo documento, também está proibido o uso de refrigerantes, as frituras e recomenda-se evitar embutidos e enlatados. Nossa dificuldade é mesmo criar um cardápio menos monótono, diz.

As dificuldades das nutricionistas responsáveis pelo programa são acompanhadas de perto pelo Conselho Regional de Nutrição da 1ª Região. O cardápio do DF ainda tem uma oferta muito baixa de frutas e verduras in natura e é rico em alimentos açucarados, além de ser muito monótono, avalia Janaína Marques Baiocchi, nutricionista e coordenadora de Fiscalização do CRN1. E isso não é culpa das nutricionistas. A política de compra de alimentos não funciona, critica.

Igo Estrela/Ag ObritoNews 

Cozinheira prepara o almoço

Kelen explica também que a escolha de refeições para a hora do lanche das crianças se deve às condições socioeconômicas das famílias. Para grande parte de nossos alunos, essa é a única refeição do dia, conta.

A responsável pelo Programa de Alimentação Escolar do DF acredita que, a partir do segundo semestre, os cardápios vão melhorar bastante. É que as novas regras do FNDE determinam que parte do dinheiro recebido pelos estados tem de ser utilizado na aquisição de produtos da agricultura familiar. Goiaba, morango, manga são exemplos de frutas que farão parte do cardápio.

Briga na Justiça

A situação da equipe de nutricionistas do DF pode parar na Justiça. A falta de profissionais especializados para atender melhor o programa alarmou o Conselho Regional de Nutrição da 1ª Região (CRN1). De acordo com a nutricionista responsável pela Fiscalização do Conselho, Janaína Marques Baiocchi, 80 nutricionistas seriam necessários para cuidar do programa no DF conforme determina a lei.

Depois de tentativas frustradas de negociação com o governo, o CRN1 enviou um ofício ao governo do DF informando que será encaminhada uma denúncia ao Ministério Público caso as exigências legais não sejam cumpridas imediatamente. Duas nutricionistas para atender mais de 600 escolas é algo completamente fora dos parâmetros, protesta Janaína.

Cardápio

As preparações oferecidas pela rede pública do DF aos estudantes do ensino fundamental, médio e EJA são compostas de três refeições salgadas por semana (que incluem galinhada com cenoura; macarrão ao molho de frango desfiado com batata; arroz com feijão e carne em conserva e seleta de legumes e refresco de pêssego; risoto e mexido de arroz, feijão, ovo, cebolinha e cenoura) e dois lanches por semana (eles variam de sal ou doce: pão brioche e vitamina de banana; canjica; biscoito manteiga e leite caramelado; pão com molho de frango desfiado e refresco de uva; cereal com leite e arroz doce). Macarrão, galinhada e canjica aparecem na lista pelo menos uma vez por semana.

Os estudantes com dificuldade de deglutição e os diabéticos têm cardápios especiais. Na verdade, os ingredientes são basicamente os mesmos. Muda mesmo a forma de preparo. Papas e sopas fazem parte do cotidiano dos que não conseguem mastigar direito. No caso dos diabéticos, o açúcar é excluído das preparações.

Os alimentos são recebidos pelas escolas de acordo com um calendário semanal. Gêneros de hortifruti e ovos são entregues em quantidade suficiente para a semana de consumo (duas vezes na semana) e pão (três vezes). Carne, frango, margarina e requeijão são distribuídos três vezes por semana.

Igo Estrela/Agência ObritoNews

Crianças elogiam a comida na Escola Classe 209

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