No centro, população se divide sobre greve de estudantes da USP

Alunos fazem passeata contra a PM pelas ruas da região e são recebidos com chuva de papel picado e papel higiênico molhado

Marina Morena Costa, iG São Paulo |

Com gritos de “fora PM” e “não à repressão”, cerca de 5 mil estudantes da Universidade de São Paulo (USP) protestaram contra a Polícia Militar pelas ruas do centro de São Paulo na tarde desta quinta-feira . A manifestação foi recebida pela população ora com simpatia, ora com animosidade. De alguns prédios, pessoas jogaram chuvas de papel picado e bateram palmas. De outros, copos plásticos com água e “bombas” de papel higiênico encharcado foram arremessadas contra os estudantes, num exemplo concreto do antagonismo de opiniões sobre o movimento que pede a saída da PM da USP.

“Tem que fazer isso aí, se for pra melhorar. Não precisava daquilo [desocupação da reitoria feita por 400 homens da tropa de choque da polícia militar que deteve 72 pessoas ]. Conversando é que a gente se entende”, afirmou Roger Sousa, 38 anos, vendedor de produtos eletrônicos de uma loja na Rua Benjamin Constant.

A passeata começou às 16h45 em frente à Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, e passou por ruas movimentadas da região, como as avenidas Ipiranga, São Luís e São João, interditando totalmente o trânsito em vários momentos. Os estudantes protestavam pela saída do reitor João Grandino Rodas e contra a Polícia Militar, que faz a segurança do campus .

AE
Estudantes da USP param trânsito de São Paulo contra ação da polícia no campus

O motoboy Maicon dos Santos, 29 anos, era um dos mais animados da “plateia”, batucava em uma porta de lata e cantava os gritos de guerra junto com os estudantes. “Por que a PM não está na rua prendendo ladrão? Aqui no centro está cheio de gente vendendo coisa roubada”, destacou. Para ele, a ação da polícia na retirada dos estudantes foi uma “crueldade sem sentido”.

Menos complacente com os estudantes, estava Francisca Belarmino Flor, 35 anos, que achou a manifestação uma palhaçada. Às 18h40 ela aguardava pelo ônibus. “Este horário eu já estava em casa”, lamentou a revisora.

Maconha

Vanessa Gomes de Souza, de 30 anos, esperava pelo ônibus há mais de uma hora quando a manifestação passou pelo ponto onde ela estava, na rua Coronel Xavier de Toledo. “Há alguns meses eles pediam a PM na USP por causa do menino que morreu e agora pedem que saiam para eles fumarem maconha?”, questionava.

Apesar das ocupações terem acontecido após a PM deter três alunos que fumavam maconha no campus, durante a manifestação os estudantes frisaram que não estão lutando pelo livre consumo de drogas e sim contra a repressão e a postura violenta da Polícia Militar – na USP, nas periferias e com os movimentos sociais. “Ah, mas que vergonha, achar que a greve é por causa da maconha” era um dos principais gritos da passeata.

“A PM mata ‘a rodo’ nas favelas. Moro na zona leste e vejo isso. A visibilidade que a USP tem serve para que a população repense o papel da PM”, defendeu Bianca Stefano, de 19 anos, estudante de Ciências Sociais na USP. Para o manobrista Maurício Santana de Brito, 34 anos, a reivindicação faz sentido: “É um perigo a tropa de choque e a PM entrar numa universidade. Eles não respeitam ninguém”.

Havia praticamente um cartaz para cada estudante. Uns diziam “Armas matam, livros não”, “fora Rodas, fora a PM”, “Isso é uma aula de democracia”, em resposta à declaração do governador Geraldo Alckmin de que os alunos que invadiram o prédio da reitoria precisavam de uma aula de democracia . Outros atacavam a imprensa e respondiam às criticas ao movimento dos estudantes: “Sou do Capão [Redondo, bairro periférico da zona sul]. Não sou mimada”.


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