No 1º dia de aula, faltam professores no Paraná

De acordo com sindicato, confusão na seleção de professores impediu que docentes se organizassem. Secretaria minimiza problema

Luciana Cristo, iG Paraná |

Alunos da rede estadual de ensino do Paraná enfrentaram falta de professores nesta terça-feira (8), primeiro dia de aula do ano letivo. Mesmo com a revogação da liminar que impedia a contratação de professores pelo regime do Processo Seletivo Simplificado (PSS), a Secretaria de Educação do Paraná teve problemas, principalmente em escolas da Região Metropolitana de Curitiba.

De acordo com o Sindicato dos Profissionais em Educação do Estado do Paraná (APP-Sindicato), há relatos de problemas principalmente nos municípios de Piraquara e Fazenda Rio Grande. "Grande parte dos professores do PSS está na Região Metropolitana de Curitiba, o que contribuiu para a falta de profissionais nas salas de aula. Com o problema no processo, muitas aulas não foram distribuídas a tempo. Em Fazenda Rio Grande, os diretores se reuniram nesta segunda (7) e tomaram a decisão de não voltar às aulas sem professores", diz a presidente da APP-Sindicato, Marlei Fernandes. Em todo o Paraná, cerca de 40% dos professores não são concursados, sendo chamados pelo PSS.

Em Curitiba, parte dos colégios funcionam com até 80% do pessoal pelo regime PSS e, caso as contratações que ainda estavam acontecendo no dia de hoje não supram a demanda, algumas escolas ameaçam não abrir na manhã desta quarta-feira (9), como o Colégio Estadual Pilar Maturana, no Bairro Alto. Em outros colégios, por falta de profissionais de serviço gerais, pode faltar merenda, por exemplo, como está sendo cogitado pelo Colégio Dona Branca, na região norte de Curitiba.

Esse esquema de contratação por PSS é o principal questionamento da APP-Sindicato, que na semana passada ingressou com ação judicial pedindo que a classificação dos professores seja revista. A liminar obtida pelo sindicato só foi revertida pelo governo estadual no fim da tarde da segunda (7), véspera da volta as aulas.

8,3 mil recorreram à Justiça

Foram mais de 8,3 mil recursos de professores que não concordaram com o resultado divulgado ao final do processo. "Entendemos que o erro foi do sistema, não dos professores, por isso reivindicamos a revisão", explica a presidente da categoria. Agora, o sindicato dos professores aguarda o julgamento do mérito da ação no Tribunal de Justiça do Paraná.

Por conta da confusão, muitos professores aprovados pelo PSS não compareceram às aulas hoje - a maioria nem sabia para qual colégio deveria ir - ou participaram de forma precária da semana de preparação para o início do ano letivo, ocorrida na semana passada. Não houve tempo de fazer a distribuição das aulas de forma adequada, apesar da promessa da Secretaria de Estado da Educação.

Ontem, o secretário de Educação do Paraná, Flávio Arns, culpou a gestão anterior pela forma de contratação inapropriada e pela falta de planejamento. Para tentar melhorar o quadro, o secretário anunciou que em poucas semanas deve iniciar o chamamento de 3 mil professores aprovados em concurso público feito em 2007, que tem validade até o ano que vem. A intenção do governo é que o chamamento dos aprovados em PSS aconteça apenas em situações de emergência.

A Secretaria de Educação estadual se manifestou por meio de nota, no fim da tarde desta terça (8), na qual afirma que ocorreram "algumas questões pontuais" que devem ser resolvidas até o final desta semana. "Em relação à falta de professores ocorridas em algumas escolas, a Seed esclarece que no momento em que o Tribunal de Justiça do Paraná, nessa segunda-feira (07), deferiu as liminares autorizando a contratação de professores e técnicos administrativos, grande parte já participava da semana pedagógica. Eventuais problemas devem ser resolvidos", diz a nota. 

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