Não estudei até agora. O que eu faço?!?

Não estudou o ano inteiro, por isso está com medo de reprovar? Veja como recuperar a nota. Se correr, ainda dá tempo!

Isis Nóbile Diniz |

Acordo Ortográfico

O desespero chegou. Depois de ter passado o ano inteiro ignorando a dificuldade com matérias, enrolando, na balada, namorando, conversando durante as aulas, ou, simplesmente, sem se importar com escola, dá tempo de recuperar a nota no final? Sim, os especialistas são unânimes. Porém tal proeza requer sacrifício e esforço. Inexiste fórmula milagrosa, o jeito agora é estudar.

De acordo Marcos Borges, coordenador do ensino médio do Colégio Paulista (COPI), o índice de reprovação é de, por volta, 8% ao ano . Vinte por cento dos que ficam no aperto não conseguem passar, culpa do desinteresse. As duas séries que apresentam mais problemas são a oitava e o segundo ano do ensino médio. Respectivamente, o aluno aprende questões de matemática diferentes e temas de língua portuguesa que ele não vivenciou como o eu-lírico, afirma.

Quanto pior a situação do aluno, maior deve ser a dedicação. É óbvio que essa recuperação dependerá das notas anteriores e do número de matérias pendentes, afirma Raquel Caruso, coordenadora da Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico (EDAC). Por exemplo, se a nota tirada pelo aluno foi abaixo do esperado nos três bimestres ou a quantidade de matérias com dificuldade maior que quatro, as chances serão menores .

Para isso, primeiro, esqueça todas as outras atividades, afirma Cesar Pazinatto, coordenador pedagógico do Ensino Fundamental do Colégio Santo Américo. Enquanto a maioria dos amigos se prepara para as férias ou viagens, o aluno deve ser focado. Se concentrar nas salas de aula e nos estudos em casa. O demais fica para a comemoração após a aprovação.

Apesar de conseguir recuperar a nota, o mesmo não acontecerá com o conteúdo perdido. Nessa situação apertada, o aluno decora para passar de ano , diz Pazinatto. Absorver o conteúdo do ano todo, em apenas um mês, é complicado. O correto é estudar uma hora por dia durante o ano inteiro, explica Borges.

O porquê chegou nesse ponto

A partir dos nove anos, a criança já pode conversar com os pais sobre os problemas escolares. E é, principalmente, após essa idade que ela deixa de estudar por preguiça. Ela prefere a vida social do que a escolar, afirma Pazinatto. Quando o aluno possui dificuldade em entender a matéria, geralmente se dedica desde o início do problema e é acompanhado ao longo do ano, conseguindo passar para a próxima série.

Antes dessa idade, os entrevistados afirmam que a defasagem é mais evidente e por outras causas. A família acompanha o aluno e, junto com a escola, busca um caminho para a melhora. Em todos os casos, independente da idade, a escola avisa os pais logo que nota um problema com o aluno, diz Pazinatto. Mas nem sempre os pais vão à escola para verificar o que ocorre. O desejável é trabalhar em conjunto com a família, ela deve se comprometer também, completa.

Raquel apresenta alguns fatores que podem ser a causa do problema: externos como separação dos pais, doença na família, problemas financeiros, falecimento ou sequestro de parentes; físicos como doenças auditivas, problemas visuais, distúrbios glandulares, dislexia ou alterações de hormônios na adolescência; como falta de organização, disciplina ou de tempo devido às aulas de esportes ou cursos de línguas em excesso; sono como sofrer de apneia; sociais como desestímulo com relação ao colégio, problemas com colegas na escola; falta de rotina.

Os pais devem procurar a escola para saber a situação real da criança ou adolescente e como resolver o problema da melhor maneira . Caso a família note que a escola, independente do motivo ¿ falta de amigos no colégio, aula muito exigente para a criança -, for inadequada, o ideal é trocá-la de colégio logo no início do ano letivo. Mas não é indicado mudar o filho de escola em setembro, porque percebeu que ele está indo mal, diz Raquel.

O melhor é estudar neste final de ano para recuperar o prejuízo e, no próximo, mudar a postura. Atualmente, 60% dos adolescentes vão para a escola pensando no contato social, diz Renata Bruno, Colégio Rio Branco de Higienópolis. Os alunos que precisam de muita nota são esses que deixam tudo para o dia seguinte, não cumprem as tarefas, conta. Assim, deve-se tirar um aprendizado dessa situação. É possível ser responsável e curtir a vida ao mesmo tempo, finaliza Pazinatto.

Dicas para passar de ano:

  • Converse com seus pais ¿ ou responsáveis - e com a escola para ter apoio de ambos;
  • Mostre interesse. Os docentes são dispostos com os alunos interessados;
  • Tente perceber onde errou ou qual foi o problema ¿ falta de atenção durante as aulas, dificuldade em aprender certas matérias ou, simplesmente, desleixo;
  • Identifique as dúvidas, o que não conseguiu aprender ou dificuldades em cada matéria pendente;
  • Siga as orientações dos professores de que e como estudar;
  • Leve a sério tudo o que for proposto pela escola como comparecer aos plantões de dúvidas, às aulas de reforço e fazer os trabalhos ou provas paralelas de recuperação;
  • Coloque o material em ordem. Caso não tenha anotado as lições e as explicações em classe, empreste de algum colega;
  • Procure um lugar tranquilo, sem distrações, para estudar;
  • Organize sua rotina. Estude sempre nos mesmos horários e cerca de quatro horas por dia;
  • Faça um plano do que estudar primeiro por ordem de dificuldade;
  • Se for com seriedade, vale estudar com amigo ou conhecido;
  • Aulas particulares e atendimentos psicopedagógicos ajudam;
  • Para salvar o ano, é preciso se dedicar. Acredite em si mesmo, que irá conseguir.

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