“Não escondemos nenhum aluno”, diz vice-reitora da Unip

Universidade alega que reforço na qualidade diminuiu número de concluintes. Em três anos, participantes no Enade recuaram 41%

Marina Morena Costa, iG São Paulo |

A denúncia feita ao Ministério da Educação (MEC) de que a Universidade Paulista (Unip) estaria selecionando os melhores alunos para realizar a prova do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) é rechaçada pela direção da universidade, uma das maiores do País em número de alunos. Marília Ancona Lopez, vice-reitora da Unip, defende que os bons resultados e o baixo número de participantes na prova nacional são reflexo de uma política de melhoria na qualidade dos cursos.

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“Não escondemos aluno nenhum. Todos aqueles que preenchem as condições do Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais, responsável pelo Enade) para participar são inscritos na prova”, afirma a vice-reitora. Na comparação das avaliações feitas em 2007 e 2010, a participação de alunos concluintes da Unip teve uma redução de 41%. O desempenho, no entanto, foi bastante superior.

O Enade é uma prova trianual aplicada aos estudantes concluintes que compõe a avaliação do MEC das instituições e seus cursos. Segundo Marília, a Unip não teve bons resultados nas primeiras edições e decidiu reformular a estratégia de ensino e aprendizagem dos cursos. Os professores receberam material didático e foram capacitados para avaliarem seus alunos com perguntas mais complexas, contextualizadas e que exigissem capacidade de interpretação e crítica, nos moldes do Enade.

A mudança na metodologia das avaliações internas começou em 2009, nos cursos que seriam avaliados em 2010 pelo MEC, e segue o cronograma do Enade – os cursos reforçados são sempre os que serão avaliados pela prova no ano seguinte. Com isso, os cursos ficaram “obviamente mais difíceis”, diz Marília. A evasão aumentou, assim como o número de transferências para outras instituições e a quantidade de alunos reprovados. “Tivemos alunos que abandonaram ou foram reprovados, e não só no último ano”, aponta Marília.

O número de concluintes caiu quase pela metade, segundo os dados do Enade. Em 2007, 2.369 estudantes concluintes da Unip fizeram a prova. Em 2010, quando os mesmos cursos foram avaliados novamente, 1.401 participaram. As notas, no entanto, aumentaram significamente. Em 2007, 46 cursos da Unip tiraram nota 1 ou 2 no Enade, considerada insatisfatória. Apenas três cursos tiveram nota 4, considerada acima da média e o máximo obtido pela universidade. Na avaliação seguinte dos mesmos cursos, a situação inverteu, apenas três tiveram nota 1 ou 2, e 103 ficaram com 4 ou 5.

O Conceito Preliminar do Curso (CPC), calculado com base no Enade e em outros critérios de avaliação do MEC, que dá uma nota mais abrangente aos cursos, também melhorou. Em 2007, 26 cursos da Unip tiraram CPC 1 ou 2 e apenas três ficaram com 4, a nota máxima obtida pela Unip. Já em 2010, um curso teve CPC 2 e 96 tiveram CPC 4 ou 5.

De acordo com a vice-reitora, a denúncia recebida pelo MEC foi enviada por uma instituição concorrente e compara os dados de ingressantes e concluintes de maneira errônea, pois utiliza as informações do mesmo ano, sendo que há no mínimo quatro ou cinco anos de distância entre esses estudantes. A Unip tem 10 dias para responder ao MEC.

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