Música é o 1º programa de pós em Artes a receber nota máxima

Curso da UFRGS, avaliado com conceito mais alto pela Capes, atrai os melhores do País

Cinthia Rodrigues e Marina Morena Costa, iG São Paulo |

A expressão virou lugar comum, mas em poucos casos cabe tão bem: nunca antes na história do País uma pós-graduação da área de Artes recebeu da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) o conceito máximo, 7. A nota foi dada ao programa de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

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Stefanie Freitas, doutoranda do programa de música da UFRGS em recital
“Estamos trabalhando há 22 anos e agora conseguimos amadurecimento para nos equiparar aos melhores pares internacionais”, afirma o coordenador da área, Celso Loureiro Chaves. Segundo ele, a nota é resultado de um trabalho de inserção da música na academia e na sociedade. “Conseguimos nos internacionalizar, já formamos quadros que iniciam núcleos de pesquisa em outras regiões do país e, principalmente, temos uma preocupação social nas nossas pesquisas, que evidenciam a importância da arte na vida.”

A escalada nas notas da Capes já atraía para a UFRGS os melhores do País. A doutoranda Stefanie Freitas, por exemplo, se mudou de Pernambuco para o Rio Grande do Sul para fazer o mestrado em 2007. “Depois de me formar, entrei no site da Capes e pesquisei o melhor curso de pós em Música, que era o da UFRGS – na época com conceito 6, mas já o melhor do Brasil”, lembra a pianista, que concluiu o curso em 2009, exatamente no triênio que viria a ser avaliado com a nota máxima.

Stefanie escolheu um pianista conterrâneo para pesquisar, Marlos Nobre. A tese de mestrado consistia em analisar as influências do compositor, tanto da música brasileira, como do húngaro Bartók, inspiração de Nobre. “Busquei entender como os elementos da composição se tornavam uma linguagem própria de Marlos Nobre. Identifiquei ritmos brasileiros, como o frevo e o maracatu, a música de rua do carnaval de recife e com alguns elementos da canção folclórica húngara”, relata.

Para Stefanie, a excelência do curso de Música da UFRGS transparece na produção artística e intelectual, tanto do corpo discente como do docente. “Aqui a tese é defendida com uma dissertação e a apresentação de dois recitais públicos. Eles avaliam a produção intelectual e a artística, e as duas têm igual valor”, destaca.

A paranaense Daniela Tsi Gerber tem uma história parecida. Professora de música em Curitiba, ela foi para Porto Alegre atrás da melhor pós-graduação do país e hoje faz o doutorado na UFRGS sobre a memorização de pianistas. Ela espera que o conceito máximo ajude a mudar a visão de artes que os brasileiros têm. “Quando falo que faço doutorado em música, todo mundo se espanta e pensa que é fácil, que é lazer. Como se não demandasse esforço, entrega, pesquisa e não fosse tão importante quanto Medicina, Direito, etc”, diz.

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