Muita água em Marte

É difícil imaginar um cenário mais desolador e contrário à vida do que o encontrado em Marte, com superfície formada apenas de rochas e pó, temperaturas de mais de 50ºC negativos e atmosfera composta por 95% de dióxido de carbono e praticamente nada de oxigênio.

Agência Fapesp |

** Agência Européia divulga imagens de reservatórios de água

Mas a situação do vizinho terrestre nem sempre foi essa. Segundo estudo publicado na edição desta quinta-feira da revista Nature, o planeta teve água, muita água, em quase todos os lugares. O suficiente para ter dado suporte à vida.

A pesquisa, feita por um grupo internacional, indica uma presença abundante de água durante os primeiros 600 milhões a 700 milhões de anos do planeta. O trabalho foi feito a partir de dados de espectrometria enviados pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), lançada em 2005 pela Nasa, agência espacial norte-americana, e que se encontra em órbita marciana desde o fim do ano seguinte.

Extensas regiões das planícies ao sul do planeta abrigaram um ambiente no qual a água teve papel fundamental na alteração de minerais em uma grande variedade de terrenos. O estudo, coordenado por John Mustard, da Universidade de Brown, nos Estados Unidos, baseou-se na análise de filossilicatos, grupo de importantes minerais que resultam de processos metamórficos, magmáticos ou hidrotermais.

Nasa

O próximo passo é buscar a existência de
'cemitério de micróbios' (Imagem/Nasa)

Os cientistas identificaram a presença de depósitos desses minerais em crateras, vales e dunas por todo o planeta. Minerais argilosos foram observados em deltas em três regiões, com destaque para a cratera Jezero. Os silicatos hidratados foram verificados também em depósitos de milhares de outros locais dentro e ao redor de crateras. A análises feitas indicam que a água estava presente a cerca de 4 quilômetros abaixo da superfície.

Segundo eles, tais áreas, especialmente os deltas, constituem excelentes locais para encontrar sinais de matéria orgânica, uma vez que os minerais argilosos movidos pela água poderiam ter armazenado organismos, no que chamaram de cemitérios de micróbios.

Os minerais foram formados em temperaturas entre 100ºC e 200ºC, baixas em comparação com a Terra, o que, segundo os autores do estudo, é uma importante pista para entender o potencial de habitabilidade de Marte entre 4,6 bilhões de anos e 3,8 bilhões de anos atrás. 

O artigo Hydrated silicate minerals on Mars observed by the Mars Reconnaissance Orbiter Crism instrument, de John Mustard e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com .

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