Mudanças em cursos da USP foram pouco discutidas por faculdades

Menos da metade das unidades da universidade se manifestou sobre proposta. Para sindicato dos professores, faltou tempo de debate

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

Entre as 43 áreas da Universidade de São Paulo (USP) que receberam a proposta das novas diretrizes para os cursos de graduação , divulgada esta semana, apenas 16 se manifestaram antes da reunião que aprovou o documento em 19 de agosto. As outras 27 ignoraram os dois pedidos oficiais de resposta à primeira versão do texto, que sugeria inclusive a extinção de cursos com baixa demanda.

As novas diretrizes determinam a reestruturação de cursos de baixa demanda no vestibular, mais flexibilização da grade e interdisciplinaridade entre faculdades e investimento em infraestrutura dos cursos, principalmente no período noturno, que atualmente não contam com apoio administrativo, bibliotecas e recursos iguais aos do diurno. 

Antes de serem aprovadas, as medidas foram enviadas pela pró-reitoria de graduação às unidades, em maio. O Instituto de Física de São Carlos, a Faculdade de Filosofia de Ribeirão Preto e a Escola de Engenharia de São Carlos pediram mais tempo para debater, sete unidades aprovaram a proposta sem pedir alterações e seis pediram mudanças que acabaram incorporadas. Uma delas, do Instituto de Ciências Biomédicas, sugeria que o ponto que tratava da discussão sobre eventual “extinção” de cursos de baixa demanda fosse substituído por “possível reestruturação” dos mesmos e, outra, do instituto de Ciências Matemáticas, gerou o adendo para “respeitar as especificidades de cada curso”.

Para o presidente do sindicato dos docentes da USP (Adusp), João Zanetic, a proporção de respostas recebidas mostra a falta de debate, de consenso e a pressa com que as mudanças foram aprovadas. “Foi muito rápido, o primeiro pedido foi em maio e em três meses o texto final foi votado. Eu só percebi essa aberração na segunda-feira, quando recebi uma cópia da ata da reunião que decidiu o assunto”, comenta.

Ontem, a assessoria de imprensa da USP não sabia quantos votos o documento final recebeu na reunião do Conselho de Graduação, mas informou que por ter sido aprovado, precisa ter conseguido maioria.

Cursos com baixa demanda foram surpreendidos

Coordenadores de alguns dos cursos com mais baixa demanda na Fuvest foram surpreendidos com as novas diretrizes que pedem sua revisão. Iole de Freitas Druck, coordenadora da Licenciatura em Matemática, que teve 2,7 candidatos por vaga na última seleção da Fuvest, soube hoje da nova diretriz. Surpresa, ela disse que rever o curso não “é preocupação predominante”. Ela conta que o currículo foi modificado em 2006 e acha precoce pensar em nova reestruturação. “Não seria o problema de baixa procura que me faria revê-lo”, afirmou.

A supervisora do curso de Música de Ribeirão Preto, Silvia Berg, explicou que embora na Fuvest haja apenas 1,4 candidato por vaga, há mais candidatos ao curso que são pré-selecionados antes pela prova de conhecimentos específicos, o que eleva a conta para cerca de 4,5 por vaga. Ainda um número baixo. “De qualquer forma, trabalhamos sempre para atrair mais público, mesmo antes de sabermos desta diretriz, que nos foi repassada agora”, diz.

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