MP irá investigar professor que ameaçou aluna com voz de prisão

Após discussão, docente do Mackenzie que é promotor de Justiça teria ameaçado estudante

iG São Paulo |

A Corregedoria-Geral do Ministério Público Estadual de São Paulo instaurou na última quarta-feira (31) um procedimento para a apuração do caso envolvendo o promotor e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Paulo Marco Ferreira Lima e uma aluna do último ano de Direito. Na última sexta-feira (26), após uma discussão sobre a aula, Lima teria dito que, na condição de promotor de Justiça, poderia chamar a polícia e dar voz de prisão a estudante .

A investigação do incidente será presidida pelo corregedor-geral, Nelson Gonzaga de Oliveira, e acompanhada por outros três procuradores de Justiça. O prazo para a apuração é de 90 dias.

A corregedoria do Mackenzie também está apurando a “divergência metodológica” entre o docente e a aluna. Em nota, a universidade afirma que se trata de um episódio isolado, envolvendo um docente recém-contratado pela Instituição. Professor e estudante foram ouvidos pela direção da faculdade.

Entenda o caso

Segundo o Centro Acadêmico João Mendes Jr., do curso de Direito do Mackenzie, na última sexta-feira, a aluna abordou Lima no corredor, pois sentia dificuldade nas aulas com a metodologia adota. De acordo com a versão da estudante, relatada ao CA, o professor ficou “transtornado” e disse que ela não tinha capacidade para avaliar sua aula, já que ele leciona há 20 anos.

Diante da posição do professor, a aluna tentou entrar na sala da coordenação do curso, mas foi impedida por Lima que mandou os seguranças a barrarem. Em seguida, Lima teria mandado a aluna parar de falar e dito que chamaria a polícia e daria voz de prisão.

De acordo com a versão do professor, também apresentada ao CA, a aluna o abordou com argumentos ofensivos à sua metodologia. Diante de “uma grosseria maior e sem fim”, Lima alega que se viu obrigado a utilizar de “outros meios” para evitar um tumulto generalizado que não estava sendo controlado nem pelos seguranças. Ele então advertiu a aluna que naquele momento estava na posição de procurador de Justiça.

O CA considerou a postura do docente inadmissível, pois acredita que dentro da universidade a relação entre os acadêmicos é de aluno/professor e não de aluno e autoridade pública. “Em um País de ‘doutores’, em que qualquer um se acha acima da lei, não podemos permitir que em nossa faculdade, um ambiente exclusivamente acadêmico, pessoas desse tipo continuem a desrespeitar nossa Constituição, em uma perfeita cena de abuso de autoridade”, afirmou em nota a instituição que representa os alunos.

Novas acusações

Na última quarta-feira (30), uma nova acusação aumentou a polêmica em torno do professor e da aluna. O também professor do Mackenzie Marco Antônio Ferreira Lima, irmão de Paulo Marco Ferreira Lima, acusou a aluna de ter cometido crime de racismo contra o docente. Segundo o CA, testemunhas da discussão, alunos e funcionários não ouviram acusações racistas.

A aluna negou toda e qualquer acusação de racismo. No documento escrito pelo próprio professor Paulo Marco Ferreira Lima, entregue à direção da faculdade, nada consta sobre discriminação racial.

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