Mineira faz sua primeira viagem de avião para estudar em Portugal

Estudante de 21 anos faz intercâmbio pelo programa Ciência sem Fronteiras e conta suas impressões

Marina Morena Costa, iG São Paulo |

“Há muito o que aprender.” Apenas uma semana de intercâmbio em Portugal já foi o suficiente para a estudante Eduarda Raissa Silveira Veiga, de 21 anos, se dar conta da oportunidade que terá de absorver conhecimento durante o período em que ficará estudando no exterior. Aluna de Gestão Ambiental do Instituto Federal Goiano, ela está entre os primeiros brasileiros contemplados com a bolsa de estudos do governo federal do Programa Ciência sem Fronteiras. Até 2014, 100 mil estudantes brasileiros devem conseguir o mesmo benefício.

Bolsas no futuro:
Índia vai oferecer bolsas para estudantes brasileiros
EUA prometem 20 mil bolsas a pesquisadores brasileiros em 4 anos

Eduarda nunca havia viajado para o exterior, nem andado de avião. Tinha muita vontade de trabalhar ou estudar fora do Brasil, mas faltavam os recursos financeiros. Agora já frequentando aulas na Universidade de Minho, em Braga, norte de Portugal, cursa disciplinas sobre recursos hídricos que vão ajudá-la na elaboração de seu projeto de iniciação científica, um método para avaliar a qualidade das águas a olho nu, sem laboratórios, para que moradores de áreas rurais possam identificar rapidamente se a água está contaminada.

“Vi um software de como avaliar a quantidade de chuvas e terei uma disciplina sobre cheias, que abordará prevenção de catástrofes, como enchentes. O Brasil tem muito o que desenvolver nessa área”, conta.

Arquivo pessoal
Eduarda Raissa Silveira Veiga estuda na Universidade de Minho, em Portugal
Filha de dois professores da rede pública de Minas Gerais, Eduarda conta que sempre teve sede de conhecimento. Formada na Escola Estadual Professor Antonio Marques, em Araguari, cidade mineira de 100 mil habitantes, fez sua primeira mudança para estudar no câmpus do IF Goiano de Urutaí, uma cidade de 3 mil habitantes, perto da fronteira com Minas. A vaga foi conquistada com os 700 pontos obtidos no Exame Nacional do Ensino Médio na seleção pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

Na faculdade, assumiu a diretoria financeira da empresa júnior de agronomia e era bolsista de iniciação científica. Ao assistir a uma entrevista do então ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, Eduarda se interessou pelo programa de bolsas no exterior e vislumbrou a possibilidade de uma viagem mais longa. Procurou informações na internet e se inscreveu assim que o edital foi publicado. “O programa é uma ideia muito boa. Compensa muito mais investir em pessoas do seu país do que importar conhecimento. A gente aprende aqui e depois aplica no Brasil”, destaca.

Inscrições:
- Governo abre inscrições para bolsas de intercâmbio na graduação
- Capes recebe inscrições para 30 bolsas de doutorado na Inglaterra

A estudante pretende se especializar em impactos ambientais com recursos hídricos, porque acredita que trabalhar com este recurso vital é uma forma de lidar com a vida das pessoas. E tem observado que na Europa a relação com a água é outra. “Não vi nenhuma pessoa lavando a calçada com mangueira”, diz. Desperdício como torneiras e bebedouros esquecidos abertos tampouco.

Oportunidade

Se não fosse a bolsa de estudos, Eduarda só conseguiria fazer a viagem sonhada ao exterior após concluir da graduação. “Eu vim porque queria, mas vim também para mostrar às pessoas ao meu redor que todo mundo pode. As oportunidades estão aí e a gente tem que dar o nosso melhor”, sentencia.

Repercussão: Programa de bolsas ousa para estimular economia, diz revista inglesa

Para os estudantes que querem passar pela experiência de realizar um intercâmbio, ela faz grandes incentivos. “Esqueça a saudade, o medo da mudança. A diversidade cultural que você vai encontrar aqui é inimaginável. Há intercambistas do mundo inteiro. É uma grande oportunidade não só profissional, mas para a vida.”

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG