Em quatro dias de evento, eles ouviram o ministro da Educação e palestrantes, pediram mais verba para a pasta e tomaram sol

Cerca de mil secretários de Educação, prioritariamente dos municípios com pior Índice da Educação Básica (Ideb), se despedem nesta sexta-feira do Resort Praia do Forte, em Mata de São João, na Bahia. Eles estão reunidos desde terça-feira para o 4º Fórum da União Nacional dos Dirigentes Muncipais de Educação (Undime), em um evento que custou R$ 3.167.740.

Resort Praia do Forte, da rede Iberostar, hospedou 1.000 secretários durante o 4º Fórum da União Nacional dos Dirigentes Muncipais de Educação (Undime)
Divulgação
Resort Praia do Forte, da rede Iberostar, hospedou 1.000 secretários durante o 4º Fórum da União Nacional dos Dirigentes Muncipais de Educação (Undime)

O valor foi bancado por um convênio com o Ministério da Educação (MEC) para a formação dos gestores das cidades que mais precisam melhorar o ensino. Por quatro dias de sol eles ouviram palestras de técnicos e políticos durante as tardes e noites e tiveram as manhãs livres para lazer.

A presidenta da entidade, Cleusa Repulho, os aliviou de qualquer peso na consciência por aproveitar a paisagem paradisíaca logo no primeiro discurso. “Por que na Bahia? Porque a maioria dos municípios prioritários estão na região Norte e Nordeste e o aeroporto de Salvador era a melhor logística. E por que neste hotel? Porque conseguimos uma negociação muito boa e todo mundo merece ser bem recebido. E a programação começa a tarde para vocês conscientemente aproveitarem a praia de manhã.” A diária com todas as refeições e bebidas incluídas custa R$ 750, mas saiu por R$ 240 por quarto.

Há secretários de todas os Estados do País. Os principais debates foram sobre a prova de ingresso da carreira de professor, que vai ser aplicada pelo MEC a partir do próximo ano e pode ser usada como concurso por qualquer município, o Ideb e o Plano Nacional de Educação para 2011 a 2020 que está em votação no Congresso, com 3 mil propostas de emendas.

Os dirigentes dos municípios, que hoje são responsáveis por mais da metade do total de alunos do Brasil, querem que a lei seja aprovada com a garantia de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para Educação até o final da década. “Em primeiro lugar, nós queremos a aprovação do plano, urgente. Em segundo, mais do que os 7% que o governo propôs, porque este porcentual já foi prometido para até 2014 pela presidenta Dilma, quando estava em campanha”, explicou Cleusa.

Ela argumenta que com a emenda constitucional que ampliou no ano passado a obrigatoriedade do ensino - até então era dos 6 aos 14 anos e passou a ser de 4 a 17 anos - são os municípios que terão de garantir pré-escola e a maioria depende de verba do MEC. “Só 20% dos municípios tem verba própria, o restante vive de repasse, então para criar vaga nova, vai precisar de uma fatia maior do que a atual.”

Haddad é tratado como astro

O ponto alto do evento para a maior parte dos secretários – e principalmente para as secretárias, que eram mais de 70% - foi o encontro com o ministro Fernando Haddad. Ele tinha marcado de chegar às 17h do primeiro dia, mas explicou que teve um compromisso com a presidenta Dilma Rousseff e chegou às 19h30. Auditório lotando esperando.

Conforme ele foi anunciado houve uma correria para perto do palco. Todos com máquina fotográfica na mão. Ele falou por 40 minutos, mas só conseguiu deixar o palco às 21h10. A demanda por fotos era tanta que foi organizada uma foto por delegação de cada Estado com direito a vaias e gritos de “desce, desce” para quem furava a fila. Segundo o ministro, o tratamento é sempre este. “As secretárias tem um carinho e um laço muito grande.”


* a repórter viajou a convite da Undime

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