Micróbios para gerar eletricidade

Células de combustível microbiais, que usam eletrodos sujos para dar força a um pequeno motor, sempre foram mais ou menos uma curiosidade de laboratório.

New York Times |

Acordo Ortográfico

Por elas gerarem uma quantidade tão pequena de força, desenvolvê-las para alimentar aparelhos não seria prático em lugares onde a eletricidade está à disposição. Entretanto, a Lebone Solutions, pequena empresa baseada em Cambridge, Massachusetts, planeja usar células de combustível microbiais para levar força aos africanos autônomos.

Em algumas partes da África, uma pequena quantidade de energia é suficiente para algumas horas de luz de lamparina à noite, ou para fornecer energia aos celulares ¿ algo que alguns moradores levam cinco horas a pé até um gerador, diz Aviva Presser, co-fundador da Lebone. A empresa é formada por ex-alunos da Universidade de Harvard e estudantes atuais de Harvard com origem em países africanos.

Com fundos do Harvard Institute for Global Health, a equipe completou recentemente um estudo piloto na Tanzânia, onde membros trouxeram seis células de combustível microbiais e ensinaram aos moradores como usá-las . O grupo organizou reuniões na vila em que os integrantes e o nativo da Tanzânia, Stephen Lwendo, explicaram como fazer as células de combustível.

A equipe achou os moradores simpáticos à ideia da energia fácil de cultivar e ansiosos para usar as células de combustível e carregar telefones celulares, escutar rádio e adquirir mais luz.

Na África, as pessoas querem dar energia a (pequenos) aparelhos, em oposição aos grandes aparelhos como geladeiras, diz outro co-fundador da Lebone, Hugo Van Vuuren, aluno da Harvard e nativo da África do Sul. A equipe espera desenvolver a tecnologia para fazer algo competitivo com outras energias renováveis espalhadas em países da África.

Células de combustível microbiais podem ter uma vantagem distinta porque são inicialmente mais baratas de se construir do que um moinho de vento e mais fáceis de fazer do que painéis solares. Além disso, elas podem durar até 10 anos, diz o co-fundador da Lebone, David Sengeh.

Em vez de usar hidrogênio como combustível, como as células de combustível convencionais, as células de combustível microbiais usam micróbios de forma natural para gerar força. As bactérias vivem no ânodo, onde podem comer glicose, esgoto ou outros materiais jogados fora, e os transformam em elétrons e prótons . As bactérias transferem elétrons ao circuito, que cria pequenas quantidades de energia.

Para fazer as células de combustível, a equipe coloca tela de grafite ¿ o ânodo ¿ no fundo de um balde junto com arame ¿ o catódio ¿ e sobras cheias de micróbios, sendo elas lama, restos de vaca ou resíduos de plantação de café.

Uma camada de areia age como uma barreira de íon enquanto o sal ajuda os prótons a viajar mais facilmente. A equipe adiciona uma tela de gerenciamento de força (o único aparelho que os moradores provavelmente terão de importar, diz Presser) para regular a força e mandá-la a uma bateria. Tal célula de combustível pode fazer funcionar um diodo (LED) barato e eficiente que emite luz de quatro a cinco horas por noite. Esperamos que todo o sistema custará 10 dólares quando estivermos prontos , diz Presser.

A beleza disso é que é um sistema auto-sustentável, afirma Derek Lovley, professor da Universidade de Massachusetts Amherst, que não está envolvido no trabalho e que publicou estudos iniciais sobre células de combustível microbiais em 2002. Usar as luzes do LED é uma aplicação boa, prática para isso, se eles conseguirem fazer isso ser simples e barato, diz Lovley. Esta é na verdade, até onde sei, a única aplicação atual de células de combustível (microbiais).

No momento, a maioria dos trabalhos sobre células de combustível microbiais são baseados em pesquisas, apesar de haver tentativas de usar micróbios em células de combustível para tratar o esgoto .

Quanta força as células de combustível microbiais podem gerar depende da área das folhas de grafite. Cerca de um metro quadrado de célula de combustível produz um watt, que consegue recarregar um celular, de acordo com Van Vuuren. Cinco metros quadrados podem dar energia a um rádio portátil, ventilador, ou um pequeno lustre.

Para o próximo teste, por conta do lançamento em dezembro na Namíbia e financiado pelo Banco Mundial, a equipe pretende juntar um novo design de células de combustível com luzes de LED de alta eficiência. Para tal desafio, a Lebone fará 100 células de combustível e espera alcançar 3.000 .

Leia mais sobre: África - energia

    Leia tudo sobre: energiasáfrica

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG