Metas do Ideb por rede e escola podem ser revistas, diz ministro

Índices previstos para 2011 foram alcançados pelo ensino fundamental. Aceleração pode provocar revisão das metas

Priscilla Borges, iG Brasília |

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi criado pelo Ministério da Educação para avaliar a aprendizagem dos alunos e o sucesso das escolas no processo de ensino. Com base nos retratos da educação nacional, estadual, municipal e até escolar produzidos pelo cálculo do índice, o órgão estabeleceu metas de qualidade que devem ser atingidas nas várias etapas educacionais.

Os resultados de 2009 mostraram que as metas estabelecidas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para melhoria da qualidade de ensino nas escolas brasileiras têm sido alcançadas. No caso do ensino fundamental, as expectativas para 2011 já foram atendidas no ano passado.

Nos últimos quatro anos, desde que o Ideb começou a ser calculado, os índices da primeira etapa do ensino fundamental (as séries iniciais) aumentaram 0,8 pontos. Passaram de 3,8 para 4,6. Foi a fase da educação que mais demonstrou crescimento no Ideb. Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, essas crianças foram alvos de políticas que alteraram a trajetória educacional de má qualidade.

Haddad lembrou que, se o ganho obtido por essas crianças e suas escolas for mantido nos próximos anos, a meta de qualidade estabelecida para o País no bicentenário de sua Independência, 2022, poderá ser alcançada com cinco anos de antecedência. “A Prova Brasil organizou a escola do ponto de vista dos projetos pedagógicos. Os aumentos de Ideb obtidos em todas as etapas são consistentes com as trajetórias previstas pelo Inep”, pondera.

Por isso, o ministro não descartou a possibilidade de que as metas possam ser revistas nos próximos anos. Mas recomendou cautela. “Não esperávamos que as metas fossem antecipadas dessa forma. A minha recomendação para o próximo governo seria rever as projeções para escolas e redes. Talvez valesse a pena para evitar que alguma escola muito fora da rede prevista desista ou outra muito acima se acomode”, diz. No entanto, ele acredita que a média nacional precisa ser olhada com cautela.

Ensino médio

O ministro também ressaltou que é natural o menor crescimento no ensino médio. “Passamos por um período de recessão educacional, com a queda do desempenho dos estudantes. O pior momento em proficiência em matemática e língua portuguesa foi o vivido pelos alunos dos anos iniciais em 2001”, contou.

Maria do Pilar Lacerda, secretária de Educação Básica do MEC, afirma que os programas precisam ser fortalecidos para atender a população que está chegando ao ensino médio. “Aumentar o ensino técnico, ampliar a oferta de ensino médio inovador e investir na formação de professores das áreas de exatas, que é a maior necessidade dessa etapa”, afirma.

É importante lembrar que apenas parte dos estudantes do ensino médio matriculados no País fez a Prova Brasil. Como os alunos dessa etapa concentram incontáveis avaliações (Exame Nacional do Ensino Médio, vestibulares, Sistema de Avaliação da Educação Básica, entre outros), o Inep optou por pegar uma amostragem de estudantes para participar da prova. “Com a mudança no Enem, estamos tentando racionalizar isso. Há uma chance de ele ser universalizado e poder ser utilizado nas comparações”, diz.

Para o presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Carlos Sanches, é hora de as escolas particulares serem incluídas nas avaliações. Por enquanto, apenas as escolas públicas participam dos exames aplicados pelo MEC às crianças e aos adolescentes. “Chegou o momento de a Prova Brasil ser censitária e avaliar também a rede privada. Precisamos acompanhar efetivamente as diferenças de ensino e investimentos das duas redes”, ressalta.

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