Metade das vagas no ensino superior não foi ocupada em 2009

Das 3 milhões oferecidas, 52% ficaram vazias. Censo da Educação Superior mostra que situação é mais grave na rede privada

Priscilla Borges, iG Brasília |

O último levantamento realizado pelo Ministério da Educação mostra que o crescimento do número de universitários no Brasil é tímido. Os dados mostram que, em 2009, a quantidade de estudantes matriculados no ensino superior foi 2,5% maior do que em 2008. Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, o aumento real é maior. Ele explica que, em 2008, após a divulgação do Censo da Educação Superior, o MEC identificou uma irregularidade que havia superdimensionado o crescimento daquele ano. Uma única instituição havia registrado 200 mil vagas a mais de um ano para o outro.

A Fundação Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), instituição estadual, passou a oferecer essas vagas na modalidade a distâcia de forma irregular. Por conta disso, a pasta iniciou um processo de supervisão, que levou ao desscredenciamento de cursos da universidade e a redução da oferta de 140 mil dessas 200 mil vagas abertas em 2008. Outras instituições teriam absorvido essas vagas em 2009 a taxa de crescimento entre 2008 e 2009 seria de 6%. Agora, o País está próximo de alcançar 6 milhões de alunos em universidades, centros universitários e faculdades.

"Nós corrigimos uma irregularidade. Esse 'efeito Unitins' não aparece na divulgação e faz parecer que o crescimento de matrículas no ensino superior foi modesto. Mas não foi. De fato, em dois anos, tivemos um aumento linear, que soma 13,4% em dois anos", disse.

O Censo da Educação Superior mostra, no entanto, que a razão para o aumento modesto não é falta de vagas. Pouco mais da metade das vagas oferecidas por instituições públicas e privadas em 2009 continuaram vazias após as diversas seleções de candidatos. As duas redes abriram 3.164.679 vagas naquele ano. Do total, 1.653.291 (52,2%) não foram preenchidas. A rede privada amarga o maior prejuízo: 1.613.740 vagas ociosas. Elas representam quase 60% das 2,7 milhões colocadas à disposição nos vestibulares. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pelo Ministério da Educação.

O cenário não é novo para as instituições. No entanto, a ociosidade da estrutura das universidades, faculdades e centros universitários brasileiros teve um leve aumento – de 2,6 pontos percentuais – em relação a 2008. Em números absolutos, a quantidade de vagas ociosas nas instituições de ensino superior do País não para de crescer. Ela aumenta mais do que as opções oferecidas aos candidatos.

De 2008 para 2009, as vagas oferecidas pelas instituições brasileiras aumentaram em 5,7%, passando de 2,9 milhões para 3,1 milhões. A ociosidade cresceu 10,5% em 2009 quando comparada a 2008. De 1,4 milhão de vagas sem ocupação, a educação superior tem hoje 1,6 milhão. Em 2009, as instituições receberam 1,5 milhão de calouros, sendo que 350 mil foram para as públicas e 1,1 milhão para as particulares.

Para Haddad, esse é um dado que mostra, de fato, a realidade do ensino superior. Ele explica que algumas instituições privadas colocam à disposição, muitas vezes, mais vagas do que realmente podem e pretendem oferecer, inflando a quantidade de vagas. "Esse é um dado que distorce a realidade. Por isso, deixamos de calculá-lo e observá-lo", afirmou.

Desocupação também nas públicas

Apesar da situação pior da rede privada de ensino, as universidades públicas – tão disputadas em seus vestibulares – também possuem cadeiras vazias nas salas de aulas. Apesar dos 2,5 milhões de candidatos inscritos nos processos seletivos das 245 instituições gratuitas do País, 39.551 das 393.882 vagas oferecidas por elas ficaram desocupadas.

As universidades municipais são as mais prejudicadas. Quase a metade (48,7%) das vagas abertas por elas em 2009 ficaram livres. Foram quase 57 mil disponíveis. A concorrência nessas instituições foi, em média, de 1,57 candidato por vaga. As estaduais foram as mais disputadas – nove candidatos por vaga – mas, ainda assim, ficaram com uma taxa de ociosidade de 7,9% nas turmas iniciais dos cursos, que abriram 127 mil novas vagas. As federais são as mais bem sucedidas entre os calouros: em 2009, não ocuparam apenas 0,9% das 210 mil vagas abertas.

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