Mercadante defende espírito olímpico para a educação

Olimpíada de Língua Portuguesa é lançada em São Paulo. Inscrições vão até 25 de maio

Marina Morena Costa, iG São Paulo |

Foram abertas nesta segunda-feira as inscrições para a terceira edição da Olimpíada de Língua Portuguesa. Secretarias municipais e estaduais e professores têm até o dia 25 de maio para se inscrever no site da competição . Esta edição terá como tema "O lugar onde vivo" e espera envolver mais de 240 mil professores e 7 milhões de estudantes de escolas públicas.

Bom exemplo: Em vez de se aposentar, professora forma campeões de matemática

Durante o lançamento da Olimpíada, realizado nesta segunda-feira em São Paulo, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, falou sobre a proposta de criar uma olimpíada educacional internacional em 2016, paralela aos jogos olímpicos. "A contribuição mais importante (da Copa e da Olimpíada) é ficar o espírito olímpico, espírito de valores, de esporte, de cultura. E por que não pensarmos que até 2016 o Brasil poderia convidar alguns países e fazer a primeira olimpíada educacional, paralela à olimpíada do esporte, para que a olimpíada não seja só esporte, mas seja também educação?”, provocou.

Segundo o ministro, a proposta surgiu da Academia Brasileira de Ciências e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

A Olimpíada de Língua Portuguesa combina a competição com formação de professores. Os docentes e as escolas recebem materiais didáticos multimídia de apoio para desenvolver oficinas e trabalhar os textos com os estudantes. Alunos dos 5º e 6º anos do fundamental participam no gênero poema. Os alunos dos 7º e 8º anos escrevem textos sobre Memórias Literárias. Outros do 9º ano e do 1º ano do ensino médio desenvolvem Crônicas, e os alunos das últimas séries trabalham o gênero Artigo de Opinião.

As oficinas desenvolvem dois textos até agosto, e os trabalhos deverão ser enviados às comissões julgadoras até 3 de setembro. A competição terá então cinco etapas: escolar, municipal, estadual, regional e nacional, que será realizada em dezembro, em Brasília. Os professores inscritos recebem almanaques com orientações metodológicas para o ensino da leitura e escrita e podem participar de debates com pesquisadores da área em uma comunidade virtual no site do programa.

Mercadante destacou a importância da Olimpíada trabalhar com tecnologias educacionais. "A escola tem que preparar o Brasil para a sociedade da informação, preparar o professor e os alunos". O ministro destacou que este ano todos os professores do ensino médio de escolas públicas vão receber tablets com um portal digital interativo e aulas traduzidas em vídeo do americano de origem indiano Salman Khan. "Se nós quisermos fazer uma escola mais motivadora e mais acolhedora, vamos ter que preparar os professores e – se possível – transforma-los numa parabólica que está captando o que há de mais novo em termos pedagógicos e criando redes de professores para discutir. Essa proposta da Olimpíada cria exatamente esse caminho de interação e participação de uma cultura colaborativa".

Estímulo

Finalista na última edição, em 2010, Fernanda Souza Mendes, 37 anos, professora de uma escola pública de Santa Branca, interior de São Paulo, conta que os estudantes estão motivados para participar da competição. "O tema valoriza o lugar onde eles vivem e consegue despertar um olhar para a cidade", conta a professora, cuja aluna do 8º ano concorreu na etapa final da categoria Memórias.

Marina Morena Costa
A professora Jaderlene Marques exibe coletâneas de textos de alunos feitas para a edição de 2010 da Olimpíada de Língua Portuguesa
Jaderlene Marques, 43 anos, professora de uma escola estadual de Macedônia, interior de São Paulo, chegou a semi-final na última edição. "Quando apresentamos a olimpíada, os alunos tiveram um pouco de rejeição, mas ao longo das oficinas eles foram desenvolvendo o interesse, fazendo trabalho de campo, descobrindo o coletivo, a cidade", relata. Para valorizar os textos, a professora organiza saraus e apresentações na Câmara Municipal. "Eles ficaram muito orgulhosos com o desempenho da Gabriela Segura (semi- finalista). Ela é conhecida como a aluna que ganhou e eu sou a professora que dá sorte".

Premiação

Na etapa estadual, são selecionados 500 trabalhos finalistas (125 de cada gênero). Os professores e estudantes recebem medalha de bronze e participam de atividades de formação como oficinas de leitura e escrita.

Na etapa seguinte, as comissões julgadoras regionais indicam os 152 alunos e professores finalistas. Os selecionados recebem medalha de prata e um tablet. As escolas recebem uma placa de homenagem.

Os 20 vencedores da etapa final são premiados com medalhas de ouro e um notebook. As escolas recebem um laboratório de informática com dez microcomputadores, impressora, projetor, telão e livros.

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