MEC e reitores minimizam problemas e defendem SiSU

Apesar dos problemas apresentados pelo Sistema de Seleção Unificada ¿ os candidatos tiveram dificuldades durante os primeiros dias de inscrição, as vagas oferecidas não foram preenchidas com as três chamadas previstas, estudantes foram considerados aprovados e depois não apareceram na lista de convocados ¿ o Ministério da Educação e reitores reunidos em Brasília defenderam o programa que distribuiu 47,9 mil vagas de instituições federais a partir das notas do Exame Nacional do Ensino Médio.

Priscilla Borges, iG Brasília |



Maria Paula Dallari Bucci, secretária da Educação Superior, garantiu que as 51 instituições que participaram da primeira edição do SiSU confirmaram que continuarão no sistema. Algumas pretendem ampliar a participação. Tivemos percalços, mas o sistema vai ser constantemente aprimorado e aprofundado. O importante é que estamos concretizando aspirações históricas de acesso ao ensino superior, ressaltou.

A secretária esteve reunida durante toda a quarta-feira com representantes das universidades e institutos federais para fazer um balanço do programa. Até o momento, depois de três etapas de seleção e da primeira convocação pela lista de espera, 40.789 estudantes foram matriculados. Mas ainda restam 7 mil vagas disponíveis. A expectativa é de que sejam preenchidas até o fim da próxima semana. A partir de agora, as convocações serão feitas pelas próprias instituições.

Malvina Tuttman, reitora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), diz que o SiSU deve ser entendido como um projeto-piloto. Vamos poder melhorar o sistema. Não tivemos nenhum prejuízo para as universidades. Mesmo com os problemas, valeu a pena, afirmou. Assim como Malvina, Maria Paula minimizou as dificuldades apresentadas com o SiSU. São problemas que já fazem parte do universo das instituições com os vestibulares tradicionais, argumentou.

Ivonete Tamboril, vice-reitora da Universidade Federal de Rondônia, reconhece os problemas apresentados na primeira edição do SiSU, mas acredita que a instituição até aumentará o número de vagas oferecidas pelo sistema. Só oferecemos 10%. Ainda temos vagas disponíveis, mas serão preenchidas logo. O importante é que o sistema deu condições de que alunos pobres tivessem a oportunidade de concorrer às vagas de tantas instituições, diz.

Vagas livres

A quantidade de convocações de aprovados gasta para preencher a totalidade das vagas oferecidas, segundo os reitores, já era esperada. Não existe sobra de vagas. Elas estão sendo preenchidas. Não foram ocupadas na primeira etapa porque os candidatos tinham outras opções, alguns continuaram testando o sistema mesmo sem interesse. Mas ele é democrático e inclusivo, disse a presidente do Fórum Permanente de Pró-reitores de Graduação, Maria José de Sena.  

Maria Lúcia Cavalli Neder, reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), contou que, nos processos seletivos tradicionais da instituição, é comum que os candidatos continuem sendo chamados, mesmo após o início das aulas. No primeiro semestre do ano passado, tivemos até a 9ª chamada. Chamamos estudantes até junho. Enquanto tiver uma vaga ociosa, vamos convocando candidatos, afirmou. As reitoras garantiram que nenhum estudante matriculado após o início das aulas será prejudicado.

As instituições já possuem estratégias acadêmicas para resolver essas questões, garantiu Maria Paula.

Caso de sucesso

A Universidade Federal do ABC (UFABC) vê o processo de seleção unificada como positivo para a instituição, segundo o pró-reitor de Graduação, Derval dos Santos Rosa. Uma das vedetes do SiSU, com o curso mais procurado pelos candidatos, a universidade apareceu na mídia até mesmo na última rodada de inscrições, quando alunos não conseguiram fazer a matrícula devido a alteração na lista de aprovados .

Mesmo com todos os problemas, o processo foi positivo para a UFABC, pois chamou atenção para nosso curso, que é interdisciplinar e não era bem conhecido pelo público, avalia Rosa.

Com 1.700 vagas para um curso que ninguém havia ouvido falar (bacharelado em Ciências Tecnológicas, no qual todos os alunos iniciam os estudos voltados à área tecnológica e nos anos seguintes optam por qual área seguir), a UFABC chegou a receber 16,2 mil inscrições na primeira etapa do processo .

Outro ponto positivo para a universidade, na opinião de Rosa, foi quanto ao preenchimento das vagas. Pela primeira vez em seus cinco anos de existência a universidade deve ocupar todas as cadeiras oferecidas. Das vagas ofertadas, restam apenas 80 para serem distribuídas aos 3 mil nomes da lista de espera.

Nos anos anteriores, a UFABC chegou a atingir 42% de evasão no período entre vestibular e matrículas. A universidade é muito nova e o processo de seleção competia com universidade como USP e Unicamp. No primeiro ano, fizemos o vestibular em maio de 2006, mas o ingresso dos alunos deste processo aconteceu em três etapas, sendo uma em setembro de 2006, fevereiro de 2007 e maio de 2007, por isso perdemos tantos candidatos, explica o pró-reitor.

No último ano a evasão neste período diminuiu: das 1.500 vagas disponíveis em 2009, 18,75% não foram ocupadas.

Para o próximo ano, a UFABC deve aderir novamente ao SiSU como processo seletivo. O formato que adotaremos ainda será decidido pelo conselho da universidade, mas, na minha opinião, não tem porque não utilizar, conclui.

* com colaboração de Carolina Rocha, de São Paulo

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