MEC é alvo de críticas devido a erros em material didático

Políticos apontam "falta controle de qualidade" e "displicência" por parte do ministério

Ana Paula Leitão, iG Brasília |

Depois da polêmica em torno do livro didático de português que admite frases como “ nós pega o peixe ” e da suspensão da produção do kit contra a homofobia , o Ministério da Educação (MEC) agora é alvo de críticas devido a erros encontrados em publicação distribuída para escolas multisseriadas no campo em todo o País.

No total, foram distribuídos 200 mil exemplares da Coleção Escola Ativa para cerca de 1,3 milhão de estudantes. Entre os erros encontrados no material didático de apoio estão frases que não terminam, problemas de revisão e contas aritméticas com resultados errados, como o exemplo trazido pela cartilha de que 10 - 7 = 4.

Ex-ministro da Educação no governo Lula, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) criticou “a falta de um programa de controle de qualidade” no ministério. “É um grave descuido. O governo até agora não implantou um sistema de controle da qualidade dos livros e materiais didáticos para evitar essa sucessão de erros. Tem sido rara a semana que não tem problema no ministério”, disse.

Para Cristovam, as últimas polêmicas em torno do MEC acabam colocando em dúvida a credibilidade do órgão. “Daqui a pouco, os Estados vão evitar receber livros do governo federal e começar fazer seus próprios programas estaduais de livros didáticos. São Paulo, por exemplo, já tem seu programa”.

O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), criticou o que, para ele, foi “falta de atenção” do MEC ao distribuir o material didático com erros para alunos de escolas rurais. “É o primeiro sinal de displicência, incompetência e falta de compromisso com o processo pedagógico educacional. Além disso, é irresponsabilidade com o dinheiro público”, acusou.

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP) negou que o caso traga qualquer desgaste ao MEC, e rebateu as críticas de que faltaria compromisso por parte do ministério.

“Não traz desgaste, até porque não foi uma questão de falta de compromisso, nem foi um erro do ministro. Esse equívoco, a gente precisa descobrir quem cometeu para punir os responsáveis”, concluiu.

Sindicância

O Ministério da Educação pediu ontem a instalação de uma sindicância à Controladoria Geral da União (CGU) para apurar a responsabilidade por erros encontrados no material didático distribuído para as escolas rurais.

A sindicância será instaurada na segunda-feira. A impressão da coleção foi realizada pela editora Posigraf, de Curitiba. O investimento para a elaboração do material foi de R$ 13,6 milhões.
Segundo o MEC, os professores das escolas rurais foram orientados a não usar mais o material didático de apoio e seguir somente os livros didáticos. Nesta semana, haverá uma reunião de coordenadores do programa de educação no campo para discutir o que deverá ser feito com o que já está impresso.

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