MEC cria residências para equipes de saúde

Ministério divulgou normas para regulamentar residências multiprofissionais, que integram conhecimentos de diferentes áreas

Priscilla Borges, iG Brasília |

Dificilmente, um médico deixa de estudar quando se forma. A maioria procura um curso de especialização, mais conhecido como residência médica, para aprofundar os conhecimentos em alguma área. Cada vez mais, eles se tornam especialistas. O Ministério da Educação, no entanto, sinaliza o oposto aos outros profissionais de saúde.

Marcos Brandão/OBrittoNews
Residentes do Hospital Universitário de Brasília
O órgão publicou na semana passada regras para estimular a criação de residências para enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos, farmacêuticos, dentistas. A proposta é que esses profissionais – tão importantes para os serviços de saúde quanto os médicos – se especializem no atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). A visão desses cursos, porém, não é específica como no caso dos médicos. É abrangente e interdisciplinar.

Ao todo, 36 hospitais universitários federais já oferecem essa modalidade de residência, chamada de multiprofissional. O MEC lançou um edital no ano passado para selecionar experiências-piloto no País, antes mesmo de a regulamentação dos cursos ficar pronta. As aulas são dadas por profissionais de diferentes áreas para que os estudantes compreendam o olhar de cada formação para o mesmo problema. Agora, o ministério espera consolidar as residências e estendê-las a todos os 46 hospitais de ensino federais.

“O SUS precisa de pessoas que tenham visão global do atendimento”, destaca José Rubens Rebelatto, diretor de Hospitais Universitários e Residências em Saúde do MEC. Ele conta que as propostas de residências multiprofissionais foram discutidas durante dois anos. Treze áreas da saúde são consideradas aptas para compor as residências. Com as regras estabelecidas, José Rubens acredita que será mais fácil para os hospitais criarem novas propostas de cursos.

As residências multiprofissionais têm duração de dois anos. A carga horária mínima é de 5.760 horas. Os estudantes selecionados, como na residência médica, se dividem durante esse período entre aulas teóricas (20% da carga horária) e o atendimento da população nesses hospitais (80% do curso), sempre acompanhado de preceptores. Recebem bolsas-auxílio e tiram férias. Ao final da especialização, apresentam uma monografia ou artigo científico.

Aulas na prática

O Hospital Universitário de Brasília (HUB) oferece a residência desde março deste ano. A primeira turma tem 14 estudantes, dois de cada uma das áreas: fisioterapia, nutrição, psicologia, enfermagem, farmácia, serviço social e odontologia. O curso possui dois focos: oncologia e saúde cardiopulmonar. Elza Noronha, vice-diretora do hospital, conta que as áreas foram escolhidas de acordo com a vocação dos professores e médicos do HUB.

“Era importante incorporar nas residências esses outros atores que são tão importantes para o serviço quanto o médico”, afirma Elza. A intenção do HUB é ampliar o curso no próximo ano. Simone Costa, uma das coordenadoras da especialização, acredita que os resultados com a residência são positivos para a formação do profissional. “A qualificação é melhor. O profissional sai da universidade com muita bagagem teórica e pouca prática. Com a residência ele dá um salto e o olhar para o serviço muda”, analisa.

Sérgio Leite, c

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Sérgio Leite é chefe da Divisão de Apoio Diagnóstico Terapêutico
hefe da Divisão de Apoio Diagnóstico Terapêutico do hospital, defende a possibilidade compreensão do papel de todos os profissionais que atuam para promover a saúde e o cuidado com o paciente como o grande diferencial da formação. Além dos temas específicos de oncologia e saúde cardiopulmonar, os estudantes discutem bioética, ética profissional, metodologia científica, epidemiologia, estatística e políticas públicas de saúde durante o programa.

Carla Sene, 24, e Cândida de Almeida Silvestre, 30, são assistentes sociais e estão fazendo a residência multiprofissional. Carla começou a trabalhar na área da saúde e sentiu falta de conhecimentos específicos. Cândida, que está na terceira especialização, se interessou pela oportunidade de adquirir conhecimentos específicos nas áreas de oncologia e saúde cardiopulmonar. “Está sendo bem interessante trocar visões com outros profissionais, até pela lógica do cuidado e apoio ao paciente, que é múltipla”, diz.

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Luana de Almeida é fisioterapeuta
Luana de Almeida, 23, fisioterapeuta, buscava mais proximidade com as atividades práticas de um hospital. Ela conta que os residentes têm 60 horas de atividades semanais no hospital. Três vezes por semana, o grupo se encontra para discutir casos reais com os professores. Além disso, há mais encontros semanais para as aulas de políticas públicas e metodologia científica. No resto do tempo, ficam inseridos no cotidiano do hospital. “Estou gostando bastante”, afirma.

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