A pedido do Ministério da Justiça, o Ministério da Educação criou novos cursos superiores no Catálogo Nacional dos Cursos Superiores de Tecnologia na área de segurança pública. O catálogo é responsável por apresentar diretrizes e orientações para a criação de graduações tecnológicas (com duração de dois anos). O objetivo da iniciativa é auxiliar a formação de policiais, bombeiros e agentes penitenciários mais preocupados com a cidadania e o desenvolvimento social do País.

Tradicionalmente essas foram carreiras distanciadas do ensino superior porque são tidas como muito práticas. Mas é preciso reconhecer que a área da segurança pública lida com vidas, cidadania, desenvolvimento social, comenta Andréa Andrade, diretora de Regulação e Supervisão da Educação Profissional e Tecnológica do MEC. Os cursos nessa área deverão abordar Direitos Humanos, Sociologia, Filosofia, Psicologia. É muito simbólico porque isso muda o conceito de segurança pública.

O acordo estabelecido entre os dois ministérios prevê a criação também de cursos tecnológicos nas áreas de serviços penais e de segurança do trânsito. O Ministério da Justiça espera que muitos profissionais em exercício se sintam estimulados a obter formação universitária. Até então, policiais e agentes que quisessem uma educação superior precisavam fazer cursos diferentes de sua atuação profissional, como Administração e Letras, conta a diretora do MEC.

O primeiro curso tecnológico em segurança pública começou em Brasília. A Universidade Católica de Brasília contribuiu com as discussões entre o Ministério da Educação e o Ministério da Justiça na elaboração das diretrizes das novas graduações. Paralelo a isso, abriu uma turma-piloto na área para atender uma demanda da Polícia Militar do Distrito Federal.

A PM queria elevar o grau de instrução dos policiais e futuros funcionários. Lançou o projeto Policial do Futuro. Além de exigir diploma de nível superior dos candidatos nos próximos concursos, decidiu oferecer bolsas de estudo aos funcionários em atividade. Marcelle Figueira, coordenadora do curso de Tecnologia em Segurança e Ordem Pública da Católica, conta que a primeira turma de 950 alunos vai se formar no próximo semestre. Ao todo, 5 mil policiais serão formados.

A educação superior é importante para o policial de ponta. A complexidade social da atividade policial demanda formação muito forte em mediação de conflitos, uso da força e, sobretudo, prevenção. Eles entram no curso achando que são somente agentes de repressão e, depois, percebem que são mediadores de conflitos e agentes de prevenção, pondera Marcelle.

Ela conta que a universidade realiza estudos periódicos com os alunos para saber como eles sentem o impacto da formação no dia a dia da profissão. A maioria garante que há mudanças significativas.

Não só policiais estão matriculados na graduação, cujas aulas são ministradas a distância. Há 200 estudantes de fora da corporação no curso. Além de policiais civis e agentes penitenciários, há alunos civis interessados na carreira. Muitos estão se preparando para concursos em áreas afins, conta. A grade curricular conta com disciplinas de direitos humanos e mediação de conflitos, padrões de policiamento e até preservação de evidências em local de crimes.

É bom frisar que não formamos policiais. Formamos pessoas com pensamento crítico na área de segurança pública, destaca Marcelle. Ainda no primeiro semestre deste ano, a Católica abrirá uma turma de pós-graduação em análise criminal, baseada nas diretrizes do catálogo do MEC.  

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