Mais uma chance com as vagas remanescentes

Em alguns cursos de instituições públicas, o número de candidatos por vaga é menor que um. Veja como garantir a sua.

Isis Nóbile Diniz |

Acordo Ortográfico

Todas as universidades, públicas e privadas, disponibilizam vagas remanescentes. Aquelas que provenientes da desistência ou repetência de alunos, mais conhecida como transferência. Mas, diferente do colégio, as vagas remanescentes exigem mais do que cursar um ano semelhante. Algumas exigem que o interessado faça até três tipos diferentes de provas. O esforço é válido pois, quase sempre, a procura por essas vagas é baixa .

A primeira dificuldade que os interessados enfrentam é obter informações. Cada universidade divulga as vagas remanescentes em determinada época do ano. Geralmente, ocorre após os períodos de rematrícula como nos meses de fevereiro e agosto. Por exemplo, atualmente, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aplica o processo de seleção.

A Unesp abrirá, provavelmente, as inscrições em fevereiro. A Universidade de São Paulo, em março. Assim, a melhor maneira de saber sobre as quando haverá inscrições para vagas remanescentes é acompanhando os sites das instituições .

Essa é uma explicação para a baixa procura. Para se ter uma ideia, este ano a Unicamp abriu 773 vagas em diversos cursos. Apenas teve 598 inscritos. A mais procurada foi Medicina com 4,6 candidatos para cada uma das nove vagas. Por exemplo, ninguém se inscreveu para concorrer as 50 vagas disponíveis para o curso tecnologia da Construção Civil. Porém ter vaga sobrando não é sinônimo de garantia.

Como é a seleção

Cada instituição possui um processo seletivo . Na Unesp, primeiramente, o interessado deve estudar em um curso similar ou que tenha, pelo menos, duas disciplinas com nomenclatura, conteúdo e bibliografia iguais. Em seguida, deve realizar um teste que avaliará o que ele aprendeu durante a faculdade. Por fim, serão analisadas as notas curriculares.

Como algumas universidades às vezes dão notas altas, o conselho do curso faz uma reunião para discutir os resultados dessas três etapas. Se necessário ou para desempatar, fazem até uma entrevista, diz Maria Beatriz.

Na Unicamp, é um pouco diferente. O aluno passa por três fases. Na primeira, faz um exame com 24 questões com conteúdo do ensino médio. Em seguida, é analisada a compatibilidade de currículo. A grade deve ser similar à da vaga desejada. No final, são feitas provas específicas - escrita, oral ou entrevista ¿ sobre o curso.

Na Universidade de São Paulo (USP), o processo seletivo é feito por meio da Fuvest. O conteúdo da prova é solicitado de acordo com a área em que o curso se encaixa: humanas, exatas ou biológicas.

Se o aluno passar, deve cursar as disciplinas que não teve na outra instituição. Algumas vezes, deve até voltar alguns anos ou semestres. Provavelmente, o aluno vai acabar a faculdade depois do ano da turma que ele entrou, explica a coordenadora. Geralmente, é irrelevante se a transferência é feita entre cursos semestrais e anuais.

Vale ressaltar que a maioria das universidades disponibilizam as vagas remanescentes a partir do segundo ano . Com exceção de alguns cursos semestrais. Passado essa época, é bom ficar atento. A partir do segundo ano já tem gente desistindo, afirma Maria Beatriz Loureiro, coordenadora do Serviço de Orientação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara. Mas, claro, nem todos os cursos possuem vagas remanescentes e os semestres ou anos das faculdades disponíveis variam.

Mas o processo é simples, sem burocracia. Basta se inscrever nos dois dias disponíveis, ler o edital e fazer a prova, afirma Maria Beatriz. A coordenadora afirma que o serviço público tem a obrigação de disponibilizar essas vagas. Porém Leandro Tessler, coordenador executivo da Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest) da Unicamp, acredita que muitos coordenadores de cursos ainda relutam em aceitar estudantes de outras universidades.

Poucas pessoas são aprovadas, essa dificuldade na transferência parece ser um fenômeno nacional, diz. De qualquer maneira, as vagas estão abertas. O aluno deve se valorizar e perceber a segunda chance de ingressar em uma conceituada instituição.

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