Maioria dos professores ¿leigos¿ está no Nordeste

Contratação de docentes sem diploma de ensino superior aumentou 43,3% na região. Há dois anos, região Norte liderava estatística

Priscilla Borges, iG Brasília |

A região Nordeste é que mais possui professores “leigos” no País. Nas salas de aulas dos nove estados da região, atuam 64.651 profissionais sem diploma de ensino superior ou formação de magistério. Eles representam 42,4% do total de docentes sem a qualificação necessária que atuam no Brasil e 10,9% do quadro docente na região. Em 2007, eles eram menos numerosos: 45.111. O aumento foi de 43,3%.

Há dois anos, a região Norte liderava essa estatística, com 9,2% de seus professores apenas com diplomas de ensino fundamental ou médio regular. Os dados do Censo Escolar 2009 revelam que, em todo o País, o número de docentes não qualificados para ensinar aumentou nos últimos dois anos, ao contrário do que se esperava. Saltaram de 119.323 para 152.454.

Em todas as regiões, o cenário se repetiu. Em 2007, a região Nordeste possuía 7,9% do quadro docente sem formação ideal. Agora, 10,9%. No Norte, de 9,2% naquele ano o número passou para 10,4% em 2009. No Centro-Oeste, os professores “leigos” aumentaram de 7% do total para 9,2%. No Sul, de 5,2% para 6,7%. Na região Sudeste, a quantidade permaneceu praticamente a mesma, passando de 4,8% para 4,9%.

Quadro de professores leigos por regiões

Evolução das contratações feitas de docentes sem diploma de nível superior ou magistério entre 2007 e 2009

Gerando gráfico...
Inep/MEC

Ensino médio
Em todos os casos, as contratações que aumentaram foram as de profissionais com diploma de ensino médio regular. Esses professores não passaram por cursos de magistério. De 103.341 no País, eles saltaram para 139.974 nos dois últimos anos. Na região Nordeste, a que mais contratou profissionais com essa formação nesse período, elevou o quadro de 12.158 para 57.950 docentes com apenas diploma de ensino médio.

Aqueles que educavam as crianças brasileiras tendo concluído apenas o ensino fundamental diminuíram no Brasil e, consequentemente, nas regiões. Os dados do Censo Escolar mostram que, em 2007, eles eram 15.982. Em 2009, caíram para 12.480. A única que se manteve com a mesma proporção de docentes com esse tipo de formação a Sudeste, com 0,2% do quadro profissional nessa situação.

A presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Clélia Brandão, acredita que parte dos professores que hoje possuem apenas o diploma de ensino médio pode ser formada por docentes que saíram das estatísticas de formação de nível fundamental. Sob esse ponto de vista, 3.502 docentes teriam melhorado sua qualificação. Porém, eles não são suficientes para explicar o crescimento de 36.633 profissionais com diploma de ensino médio regular no País.

Na avaliação de Mozart Neves Ramos, conselheiro do CNE e presidente da Campanha Todos pela Educação, esses profissionais podem ser estudantes de licenciaturas que ainda não se graduaram. “Isso tem sido comum, especialmente, nas disciplinas de exatas. A falta de professores nessas áreas é um problema histórico, que os gestores demoraram muito a visualizar e se planejar para atender”, afirma.
Ele destaca que, em 2007, participou da realização de um estudo que mostrava o tamanho dessa carência, especialmente na região Nordeste.

    Leia tudo sobre: educaçãoqualificaçãodocentes

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG