Má qualidade do ensino desestimula jovens para a engenharia

Especialistas apontam que ensino deficiente em matemática e física pode ser a causa do déficit de engenheiros no País

Agência Brasil |

A má qualidade do ensino básico, principalmente na área de matemática e física, é uma das possíveis causas para o desinteresse dos alunos pelas carreiras da engenharia, área em que, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), apresenta déficit anual de 30 mil profissionais.

Segundo o professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Vanderli Fava e o diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique Cruz, a falta de domínio dos fundamentos das duas disciplinas não só atrapalham o desempenho dos estudantes que cursam engenharia, como afasta muitos outros.

"Por uma série de problemas estruturais, os alunos dos ensino fundamental e médio não aprendem adequadamente os conceitos [da matemática e da física]. Daí resta uma mística de que estas matérias são muito difíceis e alguns estudantes acabam optando por cursos da área de humanas", disse Fava durante um evento realizado pela CNI em parceria com o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) para debater a formação dos engenheiros brasileiros.

"O ensino básico tem que formar melhor os alunos para que eles percam o medo das ciências exatas. Hoje, as universidades procuram adequar os currículos dos cursos de engenharia para dar conta das deficiências que os alunos trazem do ensino fundamental e médio", completou o professor.

O diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique Cruz, tem opinião semelhante. "Há uma série de dificuldades para a formação de novos profissionais, mas uma das principais, a meu ver, são as deficiências do sistema educacional brasileiro. Como o país forma mal durante o ensino fundamental e médio, poucos jovens chegam a cursar uma faculdade".

Apesar de o Índice de Desenvolvimento de Educação Básica (Ideb), divulgado no início deste ano pelo Ministério da Educação (MEC), registrar uma pequena melhora, a partir de 2005, em relação ao desempenho dos estudantes dos ensinos fundamental e médio em provas de matemática, na cidade de São Paulo, a Secretaria de Educação constatou que menos da metade dos alunos da rede municipal atingem um nível considerado satisfatório para a disciplina.

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