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Lula faz discurso contido em conferência de Educação para evitar multa

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, quebrou a costumeira rotina de fazer discursos improvisados durante a Conferência Nacional de Educação (Conae). Pelo menos, de início.

Priscilla Borges, iG Brasília |

Lula leu o discurso em que citou o educador Paulo Freire para reafirmar a importância da leitura, ressaltou as transformações ocorridas no País nos últimos anos. Vou ler porque estou sendo multado todo dia. Daqui a pouco vou ter que trabalhar a vida toda para pagar multa, brincou.

Presidência
Lula discursou ao lado do ministro Fernando Haddad

Lula discursou ao lado do ministro Fernando Haddad

O presidente ressaltou a importância do espaço democrático criado pela conferência e destacou que, ao longo dos oito anos de governo, foram realizadas 66 conferências dos mais variados temas. Enquanto para muitos de nossos opositores a democracia é um pacto de silêncio, para nós ela é um ato de múltiplas manifestações, alfinetou.

Além de ter ressaltado a importância de valorizar o professor para garantir uma educação de qualidade. Lula se propôs, inclusive, atendendo a um pedido feito pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, minutos antes, a ajudar nas negociações com estados e municípios para garantir que o piso salarial dos professores se torne realidade.

Ao terminar a leitura, Lula decidiu improvisar. Sob muitos aplausos dos professores (que entoaram inúmeras canções pró-Dilma Roussef para presidente antes do presidente começar a falar), ele teceu elogios a Haddad. Chegou a afirmar que o ministro era uma dádiva de Deus à educação.

Admitiu que, no País, talvez houvesse educadores mais preparados para o cargo do que Haddad. Vale lembrar que o primeiro ministro da Educação de sua gestão foi o senador Cristovam Buarque, professor e ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB). Não basta conhecimento acadêmico para ser um bom ministro. É preciso ter sensibilidade para conhecer a realidade e saber ouvir, afirmou.

Eu e o vice-presidente José de Alencar somos o único casal de presidente e vice que não tem diploma universitário e, ao final do mandato, serei o que mais fiz universidades e investi em educação, disse o presidente. Desafio o que me suceder no caso a me colocar no chinelo e fazer dez vezes o que eu fiz, bradou.

Lula disse ainda que, quando terminar seu mandato, "vai quebrar a cara quem pensar que eu vou ser um ex-presidente. Porque vocês vão me ver andando por esse País".

Segundo ele, as coisas iniciadas não podem ser abandonadas no meio do caminho. "Quando a gente entra na água, começa a nadar e, ao invés de ir até o final, ao ficar cansado, a gente pensa em voltar. Sem se dar conta de que a volta é muito pior. Estamos no meio do rio e não temos o direito de morrer afogados."

Antes de o presidente falar, Haddad também se pronunciou, agradecendo a presença e o trabalho dos delegados, num discurso de encerramento da conferência - que segue ainda até o final da tarde desta quinta-feira.

O ministro diz estar certo de que o debate sobre o piso salarial dos professores, que está no Supremo Tribunal Federal (STF) "vai ser positivo". Em 2008, representantes de cinco Estados do País entraram com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) sobre a instituição de um piso nacional e o mérito ainda não foi julgado, nem mesmo tem data para entrar na pauta. "Vamos ganhar o debate e esse será um passo importante para atrair jovens para a carreira de professor", acredita Haddad.

Assim como Lula, ele fez muito elogios às ações do governo atual e criticou o anterior. "Há oito anos, a política que era feita, era uma política de foto privada da falta de compromisso com o financiamento da Educação, derivada da falta de vontade política de fazer da Educação prioridade do governo". "O que a cátedra retirou, precisou a fábrica colocar", concluiu, referindo-se à formação dos dois presidentes.

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