Interdisciplinaridade marca 2º dia da segunda fase da Fuvest

Equipe do Cursinho da Poli destaca nova tendência. Biologia tem questão polêmica e de duas respostas possíveis, diz professor

Lucien Adedo, especial para o iG |

Os estudantes que se prepararam para responder as provas do núcleo comum de disciplinas do ensino médio se depararam hoje com questões que misturavam química, biologia e geografia, ou que juntavam física e história. De acordo com os professores do Cursinho da Poli, a interdisciplinaridade foi o fator marcante do segundo dia da última etapa da Fuvest. 

“O nível das provas foi o de sempre, o que marcou mesmo foi a interdisciplinaridade. Nesse sentido, acho que a Fuvest avançou muito, pois houve seis questões que misturavam diferentes disciplinas”, opina José Luiz de Lima, coordenador pedagógico do cursinho.

“As questões estavam muito boas, principalmente no aspecto interdisciplinar. Não bastava ao candidato conhecer somente a química, ele precisava do conteúdo aprendido em outras matérias. Acho que nesse sentido a Fuvest está evoluindo a cada dia”, afirma o professor de química Hamilton Bigatão. No entanto, ele reconhece que essa evolução “acaba deixando o nível da prova mais difícil”.

É mais ou menos o caso da prova de História. Segundo o professor Elias Feitosa de Amorim Júnior, o exame, que só teve questões de história geral, foi de nível mediano, sem grandes surpresas. No entanto, na hora de apontar uma possível dificuldade enfrentada pelo candidato, ele não hesita: “foi a questão interdisciplinar que comparava diferentes períodos históricos com um carrinho fazendo um looping numa montanha-russa. A pergunta misturava história e física.”

Questão de biologia apresenta falha

O professor Eduardo Leão entoa o mesmo coro dos colegas. No entanto, apesar dos elogios, ele aponta uma falha no item b da questão 7 de biologia, que, segundo ele, estaria mal redigido. “O item foi escrito de maneira pouco específica e não dava elementos suficientes para que o aluno chegasse a uma dedução. No meu modo de ver, duas respostas diferentes são possíveis nesse item, já que o enunciado não é claro o bastante. No restante, foi uma boa prova que seguiu a tendência estabelecida no ano passado, ou seja, com grande interdisciplinaridade.”

Outra pergunta que chamou a atenção foi a questão 15, que misturava geografia com biologia e literatura, matéria que fazia parte do primeiro dia de provas. “Havia um poema do João Cabral de Mello Neto. Na verdade, era mais interpretação de texto e literatura do que geografia. Mesmo eu tive uma certa dúvida na hora de responder, então imagine o candidato”, explica o professor de geografia, Alexandre Gobbi. Mesmo com a dificuldade, ele vê com bons olhos a nova tendência da Fuvest, “mas nem todos os alunos vão gostar”, brinca Alexandre.

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