Indígenas querem sistema próprio de ensino

Educadores indígenas que participam da Conferência Nacional de Educação (Conae) em Brasília estão insatisfeitos com os documentos de base das plenárias e debates do evento. As reivindicações aprovadas por eles em conferência própria não estão no material.

Priscilla Borges, iG Brasília |

A I Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena foi realizada em novembro do ano passado. O objetivo do encontro era ouvir dos próprios indígenas suas necessidades educacionais e construir diretrizes políticas para esses povos. O evento foi precedido por 18 conferências regionais e 1.836 conferências nas comunidades. Ao todo, 650 delegados elaboraram um documento de 12 páginas com reivindicações e orientações.

Para eles, é essencial a criação de um sistema próprio de educação. Ele daria autonomia aos povos indígenas, mas seríamos coordenados pelo Ministério da Educação, claro. Só queremos que as especificidades de nossa cultura sejam respeitadas e valorizadas, afirma Natalina da Silva Messias, que representa os povos indígenas na Conae e é coordenadora das escolas estaduais indígenas de Roraima.

Natalina ressalta que as políticas educacionais são feitas por quem não conhece a realidade das aldeias e comunidades. As avaliações nacionais, como o Enem e a Prova Brasil, por exemplo, são muito distantes da gente, diz. Ela lembra que até a língua da população não é considerada na elaboração de provas ou metodologias de ensino. É preciso levar em conta que temos língua, cultura e religião próprias, defende.

Por isso, os delegados indígenas na Conae elaboraram uma moção que será entregue à coordenação do evento. O objetivo é fazer com que as reivindicações dos povos indígenas sejam colocadas de forma integral nos documentos da Conae, que termina nesta quinta-feira. A conferência vai definir estratégias e diretrizes para o próximo Plano Nacional de Educação (PNE), que terá vigência de dez anos.

Achamos que esse documento já deveria estar aqui, nos documentos de referência. Não entendemos por que não está. Então, decidimos elaborar essa moção e conseguimos todas as assinaturas necessárias para que fosse aprovada e apresentada à organização, afirma Natalina. O documento foi assinado por 422 delegados (era necessário recolher 300 assinaturas) e mais dez organizações nacionais.

Natalina, que é da etnia macuxi, da terra indígena Raposa Serra do Sol, se diz otimista com os rumos das políticas públicas para os próximos anos. Ela acredita que as práticas dos índios serão compreendidas e inseridas na legislação. Podemos chegar a qualquer lugar, qualquer profissão. Mas nunca deixamos de ser o que éramos, indígenas, diz.

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