História da MPB é ensinada na rede pública do Rio

Para pesquisador musical à frente do projeto ¿MPB nas escolas¿, iniciativa irá criar novas ¿plateias¿ aptas a todo tipo de música

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

A história da música popular brasileira vai virar disciplina curricular nas escolas do ensino médio do Estado do Rio de Janeiro. O projeto “MPB nas escolas”, desenvolvido pelo Instituto Ricardo Cravo Albin e em parceria com a Secretaria de Estado de Educação, ao custo de 600 mil reais, será implantado já no começo deste segundo semestre.

A ideia é relacionar a história da música e as obras de diferentes compositores ao conteúdo das disciplinas. Aulas de história, geografia, português tendem a ficar mais divertidas. Este programa, na verdade, se antecipa à Lei federal 11.769, que prevê o ensino de música na Educação Básica a partir de 2011.

Identidade cultural

Para auxiliar nas novas aulas, as escolas estão recebendo um kit contendo seis DVD’s, seis livretos e seis cartazes, sobre diferentes vertentes musicais do País. Chorinho, era do rádio, festivais, bossa nova... O material foi desenvolvido ao longo de dois anos pelo Instituto Ricardo Cravo Albin. No momento, a Secretaria de Educação está capacitando 1.207 docentes para o uso do material. A oficina segue até o dia 26 deste mês, nas próprias escolas. No próximo dia 31, um coquetel marcará o lançamento oficial do projeto, no instituto, localizado no bairro da Urca.

“A ideia é formar novas platéias. Os jovens terão acesso a um material exclusivamente preparado para eles, de forma educacional. Eles poderão compreender melhor a história e a evolução da nossa música. Preparamos alguns professores para servirem como monitores e, a partir daí, repassar aos outros docentes da rede pública”, explica Cravo Albin.

Com a iniciativa, a Secretaria de Estado de Educação espera enriquecer a cultura musical dos jovens, mostrando como a MPB influenciou a formação da identidade cultural do País. “Entendemos que a música pode ser uma grande aliada dos professores, como recurso pedagógico, enriquecendo as aulas e aguçando a curiosidade e o interesse dos jovens. A parceria com o Instituto Ricardo Albin começa em 16 escolas da rede, mas pretendemos estender a iniciativa às demais unidades do estado”, afirma Tereza Porto, Secretária de Educação do Estado.

Sem juízo de valores

A reportagem do iG teve acesso a um desses “kits musicais”. DVD’s com cerca de quinze minutos de duração, em tom documental, narram os momentos mais emblemáticos da história musical do século 20. Alguns livretos sofreram adaptações, como o que se refere ao período militar. “Um dos livros continha informações imprecisas, afirmando que o exército brasileiro é uma instituição que prega a censura. Mudamos isso, a ideia não é tomar partido de nada, é mostrar a riqueza de nossas composições, sem juízo de valores”, afirma Cravo Albin.

As aulas não farão parte do currículo obrigatório. Nesta primeira fase, 6.500 jovens serão beneficiados, em 16 unidades da rede pública. Não estão previstas visitas guiadas a concertos, Theatro Municipal, apresentações musicais, shows diversos. O projeto tende a focar na parte teórica. Pixinguinha, Cartola, Luiz Gonzaga, Chico Buarque, Vinícius de Morais, entre outros, passam agora à companhia constante dos alunos.

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