Ministro terá de explicar críticas a FHC e elogios a Lula em obras, ensino da língua portuguesa e abordagem da homofobia

O ministro da Educação, Fernando Haddad, terá de rebater a questionamentos de senadores sobre polêmicas que têm movimentado o Ministério da Educação nos últimos meses. Conteúdos de livros didáticos distribuídos às escolas públicas pela pasta e a abordagem da homofobia no material didático são os temas sobre os quais os senadores da Comissão de Educação querem conversar com o ministro.

Haddad vai participar de audiência pública que será realizada na Comissão de Educação do Senado nesta terça-feira, a partir das 10h. O ministro já confirmou presença no evento. No último dia 17, ele havia sido chamado para participar de outra audiência, mas não compareceu. Ele mandou representantes que foram impedidos de falar em nome dele no evento. A comissão decidiu então fazer novo convite a ele, que, desta vez, aceitou.

O primeiro ponto da pauta colocada no site do Senado é a politização de livros didáticos. Eles querem que Haddad fale sobre “críticas ao governo Fernando Henrique Cardoso e elogios ao governo Luiz Inácio Lula da Silva nos livros didáticos aprovados pelo MEC”. Livros distribuídos para turmas do ensino fundamental citariam dados negativos do governo tucano, apontando poucos pontos positivos da gestão. Em contrapartida, as obras teceriam inúmeros elogios a Lula. À época da divulgação de matérias sobre o tema, o MEC garantiu que os conteúdos são definidos por critérios técnicos.

A outra polêmica é “o ensino da língua portuguesa na educação de base”, segundo a pauta. Os senadores querem explicações sobre o livro utilizado em escolas públicas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) Por uma vida melhor , da Coleção Viver. Como o iG revelou, um capítulo da obra, que trata de preconceito linguístico, admite erros de concordância (como “nós pega o peixe”) na linguagem oral. Muitos parlamentares pediram o recolhimento das obras nas escolas, mas o MEC defende o material .

Em diversas ocasiões desde então, o ministro tem dito que os críticos do livro não o leram por completo. A obra, ele esclarece, não ensina a falar ou escrever errado. Segundo Haddad , todos os exercícios do capítulo em questão, aliás, pedem para que os alunos transformem frases escritas na linguagem popular para a norma culta. A idéia de discutir o preconceito linguístico, segundo ele, é para aproximar esses adultos que passaram muito tempo fora da escola dos conceitos formais.

Nesta terça-feira, durante a audiência, Haddad vai sustentar que o Programa Nacional do Livro Didático é impessoal e possui caráter apolítico. Ele vai defender ainda que as ações contra a homofobia são necessárias nas escolas. O terceiro ponto da pauta planejada pelo Senado é “a abordagem, no conteúdo de livros didáticos aprovados pelo MEC, de questões referentes à homofobia, ao gênero e aos aspectos étnico-raciais”. O tema se tornou alvo de polêmica entre líderes religiosos, parlamentares, integrantes do movimento LGBT, pais, professores e alunos. Por causa do vazamento de vídeos que integrariam um kit contra a homofobia a ser distribuído em escolas de ensino médio, deputados protestaram contra o material e conseguiram fazer com que a presidenta Dilma Rousseff suspendesse a produção do material.
Na semana passada, no entanto, Haddad esclareceu que a política contra a homofobia será mantid a e o material, apenas revisto .

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